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8 setembro 2004
Sinais duplos
Luiz Francisco diz que não assina denúncias de terceiros
Em três entrevistas que somam cerca de 1 hora de conversas, o procurador da República Luiz Francisco de Souza suscitou diversas hipóteses para o fato de uma ação assinada por ele ter sido produzida na empresa de um interessado na causa. Uma delas foi o fato de que os computadores da administração pública são máquinas apreendidas, fruto de contrabando. Outra: que a digitação de suas petições é feita por sua secretária. Em outro momento, é uma estagiária.
Na entrevista, cujos trechos seguem abaixo, Luiz Francisco chega a dizer que é, provavelmente, o único procurador que não usa softwares como Windows e Word piratas.
Um dos motivos para a publicação desta entrevista é confrontar suas respostas com as duas notas de esclarecimento divulgadas por ele. Nelas, Luiz Francisco prefere imputar más-intenções e tendenciosidade a quem divulga o que ele não quer, em vez de explicar o que aconteceu.
Leia alguns trechos da entrevista do procurador
Márcio Chaer: O senhor conhece o empresário Luiz Roberto Demarco (empresário dono da empresa onde foi produzido o arquivo da ação contra o Opportunity)?
Luiz Francisco: Conheci, anos atrás...
MCh: Certo...
LF: Aí tem a questão... O Demarco tem interesse particular contra Daniel Dantas... Mas o interesse particular do Demarco, prá gente, é puro lixo... porque, inclusive, a gente mesmo mandou o nome dele lá, para que a receita o investigasse também...
Só que, o Demarco, no caso, agiu bem, pois ele também revelou para a CVM e pagou os tributos... os outros é que não pagaram...
Agora, a ação não tem nada a ver com interesses em particular do Demarco, que prá gente não tem... não é a atuação do MP, nem nada...
MCh: O advogado dele, o Marcelo Elias, o senhor conhece?
LF: Conheço... conheço porque.... Conheci ele em decorrência do Demarco.
MCh: Quando chegou aqui o arquivo, da Ação Civil Pública, eu achei engraçado esse nome da...
LF: Deixa eu te falar uma coisa...
MCh: Sim.
LF: Primeiro: esse arquivo, não deveria ter ido sequer prá você. Eu mandei pro Tognolli...
MCh: hmmm...
LF: Aí, vai prá Tognolli... aí, não era prá... Tognolli deveria ter feito uma matéria, sei lá... agora...
MCh: Como é que iríamos dar a íntegra?
LF: A ação não pode ser botada aí... porque senão vai dar problema para mim... vocês não podem botar a ação em inteiro teor... eu não autorizei isso...
MCh: Ah... mas não era para colocar a partir de sábado?
LF: Não, não era não... não era... era para ele fazer uma matéria... ele pode fazer uma matéria jurídica... agora, nunca botar a ação, de jeito nenhum....
MCh: É que as outras, de antes, a gente sempre colocou as íntegras...
LF: Eu sei, mas essa não é prá publicar...
MCh: É que, ao abrir aqui o arquivo... ele tem um nome esquisito: “Opportunity, ufa, ufa, ufa” .... "
LF: Esse nome eu que botei...
MCh: Então...
LF: Esse é um negócio que me irrita... eu tenho uma relação de confiança com o jornalista...
MCh: Hum, hum...
LF: Aí, esse nome eu botei aqui, por que? Porque eu faço minutas da ação, aí a ação, ela vai sendo feita... eu tenho uma rede aqui dentro...
MCh: hum, hum...
LF: A rede passa no meu computador, como no da secretária. Aí, quando a ação vai pro final, aí eu boto ufa, ufa, no sentido que “ufa, acabou o trabalho”. Todas as ações, quando eu termino, eu boto ufa, ufa, uma besteira dessas...
MCh: O procurador tem um papel, o juiz tem um papel... o jornalista tem um papel... cabe ao jornalista checar as informações, não cabe?
LF: Cabe. Mas posso te falar uma coisa, com franqueza?
MCh: Fale...
LF: Se vocês, Consultor, querem fazer uma matéria sobre a ação, aí... eu tenho uma relação de amizade com o Tognolli... o Tognolli pediu: “Luiz, manda prá mim, por favor, a ação” e eu mandei. Para que? Não para colocar a ação no Consultor Jurídico... pra ele fazer uma reportagem sobre a ação...
MCh: Ele não disse que não poderíamos dar a íntegra...
LF: Mas ele, aqui entre nós... ele é uma pessoa muito boa... amiga minha... mas, às vezes, avança o limite. Gosto demais dele... dá prá gente aceitar, por que? porque eu sou amigo dele, gosto demais dele, mas essa ação, não é pra botar ele no fac símile, de jeito nenhum...
MCh: Agora, o que acontece doutor Luiz Francisco, quando eu vi esse nome, aí eu fui nas propriedades do arquivo do Word... o sr. sabe porque deve fazer isso também, quando recebe, não é?
Revista Consultor Jurídico, 8 de setembro de 2004
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Comentários
Comentários de leitores: 9 comentários
Caro Consultor Jurídico, Se William Shakespear...
Caro Félix Soibelman, Não percebi em seu texto...
Absurdo! Essa foi uma das mais ignóbeis entrevi...
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