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23.3.2002

Primeira Leitura: agonia argentina agrava-se com fracasso de Duhalde.

Coma

Com o dólar batendo nos 3,10 pesos, com alta de 15,4% em relação a quinta-feira, a Argentina foi agitada ontem por boatos de renúncia de Jorge Remes Lenicov, o ministro da Fazenda, e de decretação de um feriado bancário. Sem sucesso nas tentativas de obter ajuda internacional - leia-se, dinheiro novo que tire o país do sufoco -, o governo de Eduardo Duhalde está em fase terminal.

Lavando as mãos

Enquanto a Argentina agoniza, Bush faz o discurso padrão da direita americana, condicionando a ajuda aos países pobres ao combate à corrupção e à abertura dos mercados. Sem cerimônia, os EUA e o FMI viram as costas a um dos países mais dóceis a Washington e Wall Street.

Barril de pólvora

O prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz condenou a postura do FMI em relação à Argentina, que caminha para a convulsão social. Segundo ele, o Fundo repete erros cometidos no leste da Ásia. Mais que a inflação, diz Stiglitz, o maior problema para o governo Duhalde é o desemprego que alimenta as tensões sociais no país.

Medo

Já existe executivo recusando polpudos aumentos de salário em dólar só para não precisar viver na Argentina. O ganho financeiro não compensaria o risco de enfrentar a convulsão social que se avizinha.

Mercado nervoso

O dólar fechou a R$ 2,36, com alta de 0,85%. Tenso, o mercado aproveitou a sexta-feira para fazer ajustes nos negócios. O risco do Brasil subiu 1,67%, para 7,3 pontos percentuais, e o C-Bond, principal título da dívida, encerrou o dia com desvalorização de 0,9%, cotado a 81,2% do valor de face.

Recuou

O banco de investimentos Merril Lynch, que em janeiro elevara a recomendação de papéis brasileiros, aconselhou seus clientes a ser mais cautelosos com aplicações nos mercados emergentes neste momento, principalmente no Brasil e na Rússia.

Inconstância

O vaivém dessas recomendações de investimentos lembra as quadrilhas das festas juninas: "Olha a chuva!...", e o povo recua; "é mentira!..." - volta a avançar...

Suspense

Os analistas estão roendo as unhas ao acompanhar as flutuações nos preços do petróleo. Caso Bush faça alguma besteira no Iraque, as cotações do produto devem ir às alturas, comprometendo a retomada do crescimento econômico mundial.

Sem explicação

Roseana Sarney recusou-se novamente a explicar a origem do R$ 1,34 milhão em dinheiro vivo encontrado no escritório de sua empresa, a Lunus, pela Polícia Federal. Em vez disso, repetiu ataques a FHC. "Seria muito mais fácil se o presidente Fernando Henrique Cardoso decretasse o AI-6, fechasse o Congresso e nomeasse seu presidente do coração."

De cátedra

Ao tentar se fazer de vítima, Roseana entra em terreno arriscado. Afinal, o ex-presidente José Sarney, que saiu em sua defesa em discurso no Senado, era um condestável do regime militar, com o qual só rompeu quando os sinais de virada já eram claros. De lei de exceção esse pessoal entende.

Assim falou. George W. Bush

"Ao insistir em reformas, nós fazemos uma obra de compaixão."

Do presidente dos Estados Unidos, ao apresentar condições duras para ajudar os países pobres, em discurso na Conferência das Nações Unidas para o Financiamento e o Desenvolvimento, em Monterrey, no México.

Estava escrito

Não houve contágio da débâcle argentina no Brasil, confirmando a avaliação de Primeira Leitura em 31 de outubro de 2001: "O mercado dissociou o Brasil da crise Argentina. A queda do dólar e do risco do país revela esse movimento. A dissociação não é um aval para a política brasileira ou para os tais bons fundamentos, como gostaria o governo - e ele vai, como de hábito, tentar vender isso como um feito. É apenas a constatação de que o Brasil, por conta da recessão, está conseguindo reduzir o seu grau de vulnerabilidade".

Revista Consultor Jurídico, 23 de março de 2002.

Revista Consultor Jurídico, 23 de março de 2002, 13h16

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