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Inclusão Digital

Inclusão digital: como enfrentar o analfabetismo tecnológico

A grande questão colocada nesta era da informação é como enfrentar o analfabetismo funcional e tecnológico ao mesmo tempo. A Prefeitura acredita ser possível através de recursos multimídia e do acesso a sites especialmente produzidos para a educação em rede gerar no analfabeto funcional - o que não sabe mexer com a tecnologia moderna - um interesse tão grande pelo aprendizado que tenha impacto semelhante ao das "palavras geradoras". O hipertexto pode ser ferramenta do processo ensino-aprendizagem.

Por isso, o Plano de Inclusão Digital não separa a alfabetização tecnológica de jovens e adultos da sua alfabetização geral, nem tal alfabetização deve ser feita apartada da inclusão destas pessoas como cidadãs de uma rede pública de comunicação e informação. Obter e utilizar o e-mail é o passaporte para o mundo do conhecimento.

Os telecentros ou PEPs estarão ao lado das escolas nas áreas de maior carência e histórico abandono. Serão a porta de entrada destas comunidades à era da informação e do conhecimento. Neles desenvolveremos, o Mova Digital, um experimento de alfabetização dupla e enrijecimento do caráter participativo e coletivo, essenciais à prática da cidadania.

O projeto Mova Digital foi lançado no dia 5 de julho pelo grupo de trabalho formado na Secretaria de Educação, integrado pela Coordenadoria de Governo Eletrônico e por especialistas, líderes comunitários, cientistas e professores que vai desenvolver a metodologia do Mova Digital, bem como vai produzir ferramentas tecnológicas e softwares que possam constituir o conteúdo de um ou mais sites de alfabetização digital de analfabetos totais e funcionais.

Para o Plano de Inclusão Digital, a criação do Mova Digital é a medida mais importante junto com a instalação do ponto eletrônico de presença, sem o qual não existe porta de entrada para a sociedade em rede e para a era da informação.

O combate duplo é a estratégia em um cenário de tamanha velocidade do conhecimento.

Originalmente, o Mova é um programa criado por Paulo Freire, quando integrava a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e que tinha como finalidade possibilitar aos educandos o processo construtivo de ampliação do próprio conhecimento por meio de intervenção sistemática do educando e da vivência com os colegas numa relação de diálogo.

Este processo permitia aos alunos o acesso a níveis cada vez mais elaborados do saber discursar, saber ler, saber escrever, teorizar, contar, representar idéias, identificar relevâncias, resolver situações que envolviam o pensamento matemática e seus códigos, pesquisar informações técnico-científicas indispensáveis à compreensão do ser humano e da realidade social ao seu redor.

O Mova Digital é uma continuação deste programa, e será implantado nas comunidades carentes do município até 2002. O programa pretende criar com as comunidades de jovens e adultos que se alfabetizam um sistema de leitura do mundo digital que permita desvelar seus problemas e desafios à medida que se dominam seus instrumentais de uso e os utiliza para representar seu mundo e refletir sobre o seu próprio pensamento, em constante atualização.

Os temas geradores dos debates entre os educandos são, a princípio: conhecimento centralizado x descentralizado, informação para todos x desinformação, dominação x libertação tecnológica, comunicação x solidão e emprego x desemprego tecnológico. Obviamente, cada grupo de alfabetização criará seus próprios temas, dando voz às comunidades por meio de trocas de informação, produção e publicação de conhecimento. Esses temas serão debatidos, escritos, vividos nos seus aspectos tecnológicos e experimentados nos teclados, telas, mensagens, salas de chat e gravados em disquetes.

O projeto é uma iniciativa de uma equipe do programa de doutorado da PUC-SP e da Secretaria Municipal de Educação do Município de São Paulo.

Fonte: Site da Prefeitura de São Paulo (Inclusão Digital)

Revista Consultor Jurídico, 13 de junho de 2002, 23h23

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