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De olho no ibope

Programas assistencialistas ratificam descrédito no Estado

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É inegável a popularidade de alguns programas de TV que se servem das necessidades das pessoas para, sem muita elegância, angariar ibope e simpatia da população. Por um lado, eles resolvem algumas situações. Mas por outro, ratificam a desproteção e o alargamento cada vez maior da linha que separa o cidadão, o Estado e a Justiça.

Impressionantemente, o público destes programas, ao contrário do que pensamos, não se restringe apenas a cidadãos humildes e desguarnecidos. Cada vez mais tem se constato a classe média envolta nestes pontos ludibriantes e ludibriados de audiência.

O certo é que estas iniciativas levam ao cidadão o que ele deseja: a sensação de ser atendido em suas necessidades prementes, sem que com isso, tenham de esperar por meses ou anos. A outra face da moeda é a criada com a resolução dessas situações que, indubitavelmente, fortalecem os indivíduos em suas fraquezas e os desrespeita em sua dignidade ainda que não percebam.

A intimidade, a dignidade dessas pessoas, em alguns casos, é tão exposta quanto as suas necessidades. Isso significa dizer que, se têm seus problemas resolvidos, pagam por isso um preço alto e desconhecido. Sem querer, fomentam os tipos de “programa-desgraça” que, em busca de agradar aos padrões de audiência exigidos, fazem com que os indivíduos creiam cada vez menos nas possibilidades de terem seus conflitos dirimidos pelo Estado.

Não se deve minimizar as responsabilidades do Poder Estatal, haja vista que o crescimento acelerado desse tipo de assistência se deve e muito aos anseios mal resolvidos entre a população.

Queremos ver serena a sociedade para quem é dirigida tal programação no sentido de se investigar as verdadeiras causas destes apelos, verificando a exata diferença entre assistencialismo e solidariedade, exposição e transparência, verdade e engodo, enfim, que a sensação da resolução rápida não cegue a nossa capacidade de discernir sobre a solução “barata” que pode nos custar caro. No preço inclui-se a ignorância e a “mediocrização” do sofrimento humano, na mais plena significância.

 é advogada no Rio de Janeiro.

Revista Consultor Jurídico, 10 de junho de 2002, 8h57

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