Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Sexta-feira, 5 de julho.

Primeira Leitura: MP entrega à Justiça fitas sobre escutas do PT.

As fitas

O Ministério Público Federal entrega, nesta sexta-feira (5/7), à Justiça as fitas com as gravações das escutas telefônicas feitas pela PF durante a investigação deflagrada em janeiro deste ano, depois do seqüestro e morte do prefeito de Santo André Celso Daniel e destinada a investigar o suposto envolvimento de "membros do PT" no crime.

As conversas

Os nove procuradores, que apreenderam as fitas na sede da PF em São Paulo, vão pedir autorização para transcrição de todas as escutas feitas a partir do grampeamento legal de mais de 40 telefones.

Pacote-bomba

O conteúdo das fitas pode ser decisivo em diversas frentes de investigação: pode ser a prova documental do suposto propinoduto instalado na Prefeitura de Santo André; a evidência de que a PF agiu de má-fé ao mencionar o narcotráfico para justificar o pedido de autorização judicial para escutas telefônicas, quando na verdade se investigava a morte de Celso Daniel; finalmente, as fitas podem trazer pistas sobre o próprio assassinato do prefeito.

O PT entendeu...

A ala do PT compromissada com a transição já compreendeu, segundo apurou Primeira Leitura, que não basta apresentar para a sociedade uma nova política econômica que seja crível e capaz de resgatar o desenvolvimento.

É fundamental também traçar uma política de transição que seja capaz de superar o malanismo em um cenário externo absolutamente hostil.

...o problema

Essa ala também já compreendeu que o período de transição não será curto, dada a gravidade da crise de confiança que o país enfrenta e da que se abateu sobre os mercados globais.

Daí porque ela já admite apoiar um acordo com o FMI que vigore no próximo governo. Desde que conduzido pelo governo FHC, que seria o responsável pela crise e pela vulnerabilidade externa.

Já Lula...

O discurso do candidato Lula, porém, mostra claramente que ele ainda não entendeu que a questão não é só a nova política econômica. Ele afirmou: "Tentam impor a quem ganhar essa eleição a mesma lógica do fundamento deles, mas não queremos. Vamos estabelecer nossa própria estratégia de desenvolvimento."

Definitivamente, não é o caso. O problema é mostrar como o Brasil vai conseguir transitar de um a outro modelo sem financiamento externo.

Na periferia

O diretor-gerente do FMI, Horst Koehler, disse que os países em desenvolvimento devem explorar todas as possibilidades de desenvolvimento comercial entre seus mercados antes de exigir acesso aos mercados dos países ricos. "Não é crível que países pobres reivindiquem mais acesso aos mercados se não estão explorando a possibilidade de acesso a mercados entre eles mesmos."

Enganação

A afirmação é um perfeito sofisma: usa uma premissa verdadeira como argumento para tentar provar uma tese economicamente equivocada e politicamente capciosa. Certamente, todos os países devem aumentar seu intercâmbio comercial.

Mas o fato é que FMI parte do pressuposto que não há resposta possível ao protecionismo do primeiro mundo. E que o negócio, portanto, é se acomodar a ele, contentar-se apenas com mercados periféricos.

Ponte aérea

Pergunta: a Embraer construiu seu sucesso vendendo aviões para Paraguai, Equador, Nigéria e Paquistão? Ou foi para Canadá, França, Suíça e Estados Unidos?

Assim falou... George W. Bush

Mais uma vez, a história convocou a América a usar seu impressionante poder em defesa da liberdade. E assim faremos”.

Do presidente americano, durante o discurso do Dia da Independência, transformado em apoteose do conservadorismo da era Bush.

A história se repete

A sugestão do chefão do FMI, Horst Koehler, para que os países periféricos aumentem o comércio internacional entre si antes de reivindicar acesso aos mercados ricos é mais um exemplo do pensamento dominante do governo George W. Bush em relação aos países em desenvolvimento, que poderia ser resumido na palavra “Virem-se!”.

Foi, simbolicamente, o que o secretário do Tesouro dos EUA, Paul O’Neill, disse à Argentina, ao negar apoio a um pacote do Fundo para o país. E que tentou dizer ao Brasil recentemente, quando acabou tendo de se desmentir.

Revista Consultor Jurídico, 5 de julho de 2002, 9h59

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 13/07/2002.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.