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Apitos negros

Juízes do futebol chinês confessam suborno

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Em 6 de outubro de 2001, na província de Zhejiang, onde vivem 44 milhões de habitantes, um time de futebol da segunda divisão da liga profissional da China confessou ter subornado árbitros ao longo do campeonato para chegar à primeira divisão.

O preço pago aos árbitros para uma vitória era de US$ 7.500 e para o empate US$ 3.500. Em meados de dezembro um juiz entregou uma confissão ao presidente da Federação Provincial de Futebol de Zhejiang, em carta anônima, assinando como um árbitro que ainda possui consciência da importância de seu cargo em relação aos torcedores.

Alguns outros juizes também já confessaram que recebiam propinas. No dia 10 de janeiro, Wen Shidu, o vice-presidente permanente da Federação Chinesa de Futebol avisou que possivelmente o caso iria parar na Procuradoria de Justiça da China. "A questão é muito grave", disse ele à imprensa.

Isto resultou em investigações profundas no futebol do país. Em 1993, o governo liberou a entrada de empresas patrocinadoras nas competições, tornando a liga profissional. Cada clube pode contratar 4 jogadores estrangeiros, mas somente três podem jogar numa mesma partida.

O problema dos "apitos negros" ou juizes corruptos foi revelado pelo Clube Li Chang, "Cidade verde", através da diretoria da empresa patrocinadora do time, o principal da província de Zhezhiang, no rico leste chinês. O grupo revelou abertamente a entrega de dinheiro ao juizes e que para "purificar" o ambiente de futebol da China contou o que sabiam.

Wen, o vice permanente na Federação Chinesa de Futebol considerou a atitude do grupo Li Zhang séria e positiva. Disse que somente através do esforço de todos os parceiros e a unidade contra a corrupção, se poderá reconquistar a credibilidade do público. A entidade já vinha atrás de provas concretas há anos, afirmou.

Em 1998, a federação iniciou investigação em outra denúncia, no jogo entre os times da província de Shanxi e Shenyang. Mas por falta de provas não resolveram o caso. No dia 7 de outubro de 2001, a China conquistou uma vaga na Copa 2002, depois de vencer o time de Oman por 1 a 0, no Estádio Wulihe em Shenyang, Província de Liaoning, norte da China, após 44 anos de fracassos no futebol masculino.

Esta vez o grupo patrocinador do Clube Li Chang, "Cidade verde", teve a coragem de dar o primeiro passo. Metade dos 12 clubes da segunda divisão estão envolvidos no escândalo desta temporada, o maior em sete anos de Liga profissional.

A Federação Chinesa vetou a ascensão à primeira divisão de cinco deles e rebaixou um para a terceira. O Guangzhou Jili do sul do país, foi expulso da Liga pois sua diretoria "espantosamente" agradeceu a oportunidade de poder ter subornado outros times, e com isso ter chegado à primeira divisão.

A possibilidade de haver uma loteria esportiva com times chineses eleva a importância da apuração. A que existe hoje no país corre com resultados de 13 times da série A do futebol Italiano e da primeira divisão do Inglês, com uma arrecadação semanal em média de US$ 2,5 milhões.

Os prêmios chegam normalmente a US$ 600 mil. Foi criada em 22 de outubro passado. Mas a história não termina com estas punições. O encaminhamento à procuradoria de justiça pode colocar os juizes e clubes investigados, que sob suspeita de terem passado à divisão superior em resultados "arrumados", poderão pagar pesadas multas e ir para a cadeia.

"Isto significa que os grupos de futebol da China estão amadurecendo e agora é a melhor hora de combater a corrupção no futebol", conclamou Wen Shidu na coletiva em Beijing. O povo chinês chama um juiz ladrão de "apito negro".

Desde 1998, 66 árbitros foram punidos, com suspensões de até 12 meses e 8 deles foram banidos. Nan Yong, outro vice-presidente da Federação de Futebol da China convocou no dia 19 de janeiro uma reunião com 48 árbitros.

Alguns confessaram seus erros, outros informaram outras formas de corrupção no futebol. Este vice-presidente da FCF deu um prazo para que os próprios juizes corrigissem as falhas em campo. Conseguiu também a aprovação do envio dos juizes corruptos à justiça comum. Segundo Nan, sem os "apitos negros" em campo, o gramado será mais verde e bonito aos amantes do esporte.

 é colaborador da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 25 de janeiro de 2002, 15h02

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