Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

1º/4/2002

Primeira Leitura: governo Bush serve para reabilitação de acusados

Clínica de reabilitação

O governo de George W. Bush está virando um grande centro de reabilitação para os funcionários americanos envolvidos no escândalo da era Reagan que ficou conhecido como Irã-Contras.

Intervenção secreta

Um dos assuntos mais polêmicos do noticiário dos anos 80, o caso Irã-Contras foi uma tentativa da Casa Branca de trocar armas por reféns americanos do regime dos aiatolás. O esquema servia para financiar as milícias que tentavam derrubar o regime sandinista na Nicarágua.

Agência de empregos

O mais novo "reabilitado", segundo a revista The Nation, é o almirante da reserva John Poindexter. Ele foi recrutado pelo Pentágono para dirigir uma nova agência, a Information Awareness Office, criada para equipar membros do governo com sistemas high-tech de inteligência.

No esquema

Como assessor de Segurança Nacional de Reagan, Poindexter era um dos poucos membros do governo que, dadas as evidências, sabia que lucros da venda ilegal de armas eram desviados para os Contras.

Guarda-costas

Em um depoimento sobre o escândalo, o assessor de Reagan afirmou que tinha deliberadamente omitido informações sobre o desvio do dinheiro para proteger o presidente.

Apagando os rastros

Depois que o caso estourou na mídia americana, no final de 1986, Poindexter insistiu numa falsa versão para colocar Reagan a uma distância segura das transações mais questionáveis, de acordo com o promotor independente que investigou o escândalo, Lawrence Walsh. Junto com seu assessor, Oliver North, Poindexter tentou destruir documentos comprometedores sobre o caso.

Serviços prestados

Poindexter foi julgado e condenado por, entre outras acusações, obstruir o trabalho da Justiça e mentir ao Congresso. Foi sentenciado a seis meses de prisão, mas ficou livre - uma Corte de Apelação reformou a decisão.

Carta de apresentação

Desde que deixou o governo, Poindexter tem sido um ativo consultor sobre tecnologia militar. Mas está lá, em sua ficha: ele omitiu informações cruciais do presidente, destruiu documentos do governo e enganou agentes que investigavam o caso. Belo currículo para quem vai dirigir uma agência do governo americano, hein?

Honra ao mérito

Para Bush, isso não parece ser problema. Ele premiou outros implicados no Irã-Contras com postos em sua administração. É o caso de Elliot Abrams, secretário-assistente de Estado para a América Latina nos anos Reagan, que supervisionou a política para os contras e minimizou relatórios sobre massacres militares na região. Hoje ele trabalha para o Conselho de Segurança Nacional, cuidando de temas relativos a direitos humanos e democracia...

Paladinos da democracia

Outro exemplo: o novo secretário-assistente de Estado para a América Latina é Otto Reich, envolvido em atividades secretas proibidas no caso Irã-Contras. O embaixador de Bush na ONU, John Negroponte, era embaixador em Honduras no governo Reagan. Sua embaixada suprimiu informações sobre violações de direitos humanos cometidas pelos militares hondurenhos.

"Papai Sabe Tudo"

Talvez a mais importante reabilitação no caso Irã-Contras seja a do próprio Bush pai, vice de Reagan. Quando o escândalo veio à tona, ele alegou que tinha ficado de fora das articulações. Entretanto, documentos divulgados tempos depois mostram que Bush pai participou de reuniões cruciais do esquema. E, hoje, claro, é um importante conselheiro do filho.

Assim falou. Noam Chomsky

"Os EUA são um dos principais Estados terroristas do mundo."

Do intelectual americano, ao dizer que muitas ações de seu país se enquadram na definição oficial de terrorismo - o uso da violência ou a ameaça do uso da violência contra civis por razões políticas, religiosas ou ideológicas.

Estava escrito

Em entrevista publicada em outubro de 2001, o lingüista Noam Chomsky, um implacável crítico antiestablishment, disse a Primeira Leitura que os EUA agiram como terroristas na tentativa de derrubar o regime sandinista na Nicarágua. "A própria Corte Internacional de Justiça condenou os EUA por terrorismo internacional durante a luta contra o regime nicaragüense".

Revista Consultor Jurídico, 1 de abril de 2002, 11h46

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 09/04/2002.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.