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Eleições 2002

Jobim nega ter ido ao Rio pedir apoio da Globo a José Serra

Em entrevista ao editor Drault Ernanny Filho, da revista Consultor Jurídico, o ministro Nelson Jobim, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, negou que tenha se reunido com os dirigentes das Organizações Globo para pedir o apoio da família Marinho à candidatura do tucano José Serra.

A informação foi veiculada pelo site Primeira Leitura na reportagem Candidatáveis tucanos encontram-se com família Marinho. O texto informa que Jobim foi enviado como "interlocutor" do ministro da Saúde junto aos filhos de Roberto Marinho.

Jobim confirma que esteve no último dia 15 no 10º andar da sede da Globo, no Jardim Botânico, onde se reuniu com todos os chefes de unidades do grupo de comunicação (TV Globo, Globonews, rádio CBN, revista Época e dos jornais impressos da Casa).

O motivo da visita, explicou o ministro do STF, foi "explicar o funcionamento das urnas eletrônicas nas eleições do ano que vem". Jobim relatou que a idéia de acoplar impressoras que gerem votos em papel - para eventual auditoria e recontagem em caso de dúvidas - "é viável", mas que não há tempo suficiente para essa providência.

Antes da adoção do sistema em âmbito nacional, o presidente do TSE afirmou que pretende fazer testes em colégios menores como Sergipe ou Piauí "para ver se os eleitores aceitam".

Quanto às candidaturas, disse Jobim, "seria surpreendente e inviável que o presidente do TSE, numa conversa com pelo menos quinze pessoas, falasse em presidenciáveis". Ao ser indagado sobre a origem da noticia, no site que tem entre seus diretores o ex-ministro do governo FHC, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Jobim atacou: "De modo geral, há pessoas que procuram notoriedade mencionando autoridades e então colocam coisas sem qualquer procedência".

Segundo o texto divulgado, a parte política da visita teria sido tratada em petit comité na hora do almoço, do qual participaram Nelson Jobim, acompanhado do diretor da emissora em Brasília, Toninho Drummond, e os três filhos de Roberto Marinho, José Roberto, Roberto Irineu e João Roberto.

O site Primeira Leitura, que é produzido juntamente com a revista impressa República é considerado a melhor publicação sobre economia e política da Internet brasileira. Foi o Primeira Leitura que antecipou, também na semana passada, a mais importante notícia publicada este ano sobre a política interna do Supremo Tribunal Federal. Em detalhada reportagem, a revista eletrônica narrou a trama intitulada Ministros do STF promovem contestação da presidência de Marco Aurélio. Pela manobra arquitetada, uma ala do Supremo, provavelmente articulada pelo próprio Jobim tentaria afastar Marco Aurélio do comando do STF.

As divergências entre Jobim e Marco Aurélio, basicamente em questões que envolvem os interesses do governo, têm sido motivo de ásperas discussões entre os dois nas sessões do STF. Imagina-se que, ao presidir as eleições do ano que vem, quando grandes interesses do governo estarão em jogo, Jobim poderá ter decisões da Corte que dirige questionadas na Corte dirigida por Marco Aurélio.

Outra razão cogitada para explicar o desejo de afastar Marco Aurélio do comando do STF está na linha de sucessão dos substitutos naturais do presidente da República. O vice-presidente Marco Maciel deverá concorrer ao Senado em 2002. Assim como os presidentes da Câmara e do Senado, Maciel não poderá assumir a cadeira de FHC em seus eventuais afastamentos, sob pena de tornar-se inelegível.

É quando Marco Aurélio cruza a Praça dos Três Poderes. A menos que Fernando Henrique Cardoso passe esses nove meses sem viajar ou deixe de se considerar impedido pelo fato de estar fora do país.

Revista Consultor Jurídico, 28 de outubro de 2001, 6h28

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