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Toron x Casoy

Jornalista defende Bóris Casoy em briga com Toron

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É impressionante como o corporativismo faz com que as pessoas percam a objetividade. É por isso também que certas instituições no Brasil hoje estão mais desacreditadas do que nunca. Caso da Justiça, em que pese os esforços de uma minoria (os promotores do Ministério Público, por exemplo).

O corporativismo fez com que um professor e advogado, René Ariel Dotti, em artigo em jornal do Paraná e exposto na última sexta-feira (19/10) na Revista Consultor Jurídico investisse sua ira contra o jornalista Boris Casoy por este ter dito na TV que o advogado Alberto Toron, defensor do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, o famoso Lalau, está sendo pago com "o nosso dinheiro". No seu texto, Dotti citava ainda outros artifícios que, eventualmente, Casoy utilizara contra o advogado Toron para denegri-lo.

Não tenho procuração de Casoy, não o vejo pessoalmente e nem falo com ele há cerca de 20 anos. No entanto, pela sua atuação como jornalista, não creio que ele tenha interesse em perder o seu tempo em denegrir um advogado, mesmo sendo o defensor do lastimável juiz. Casoy apenas externou com veemência uma opinião que é a de milhares de brasileiros. Inclusive este. O dinheiro da fortuna de Lalau tem origem pública. É fruto de um desvio. Daí ele ter sido preso. Um juiz preso. Isto é uma vergonha mesmo.

O que me causa espanto no texto de Dotti é não existir nenhuma palavra de condenação ao velho e astuto Lalau que possuía imenso apartamento no prédio mais caro de Miami, apenas com seus proventos de juiz. Esse senhor que foi responsável e supervisor da obra que deveria erguer o prédio da Justiça de Trabalho em São Paulo só foi acusado por causa de um ex-gênro. Ninguém da classe jurídica antes disso levantou alguma suspeita. Cumplicidade, corporativismo e/ou omissão?

Dotti, que com seu conhecimento poderia abordar esse aspecto, só se preocupou em defender um colega. Claro que cada advogado pode defender quem quiser. Mas... convenhamos, defender Lalau? No Brasil, quem tem muito dinheiro pode ficar impetrando liminares em diversas varas até uma dar certo a seu favor. Nessa loteria jurídica, os maus ricos saem ganhando. Lalau ganhou a liberdade em casa.

A prisão domiciliar do ex-foragido Lalau é um desrespeito ao povo paulista que, por causa dele e de seus cúmplices, continua sendo obrigado a ter suas causas trabalhistas decididas em dois apertados prédios inseguros e execráveis no centro de São Paulo. Na fila do elevador, aguarda-se meia hora.

Mas essa realidade não deve interessar ao professor Dotti que, como outros advogados e juizes, poderia se empenhar em melhorar a Justiça no Brasil, fazer com que seja mais dinâmica para alcançar com mais rapidez os criminosos do colarinho branco. Principalmente juizes corruptos.

 é jornalista e cineasta

Revista Consultor Jurídico, 22 de outubro de 2001, 16h50

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