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Ética pornográfica

Quinto constitucional, a quintessência de um sistema torto.

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Noticiaram os jornais e as agências internacionais que o ex-presidente dos EUA, Bill Clinton teve negado pela Suprema Corte Americana o pedido para exercício da advocacia. Coitado. Embora o motivo não esteja explicitado na decisão da Suprema Corte divulgou-se que a negativa deveu-se ao fato de que Clinton mentiu quando depôs sobre o caso Levinsky.

Na realidade, mentir não seria bem a expressão da verdade para o bacharel Clinton. Ele não considerava como ato sexual um boquete ou, para sermos mais polidos, uma relação fálica.

Por causa desta interpretação, ou modo de ver as coisas, o ex-presidente da Nação mais rica do mundo dançou, não pode exercer a advocacia. Imagina se ele tivesse o hábito de não pagar os impostos e dizer que isso é um exercício pleno da cidadania?

Mas meu caro Clinton, nada está perdido. Não há porque chorar, tenho a solução. Certamente foi formado numa boa faculdade, obteve boas notas, portanto seu diploma pode ser reconhecido no Brasil sem grandes dificuldades, afinal de contas por aqui fazem vistas grossas para algumas universidades que abrem turmas irregulares e colocam nelas deputados, indiciados em homicídio, filhos e parentes destes e de outras autoridades; nem precisa fazer vestibular....Teu pecado é mixaria cá.

Pois bem! Rapaz bem formado como é, consegue logo logo registrar o diploma e aí já pode ser advogado.

- E no Brasil aceitam advogados mentirosos?, pergunta-me.

Tranqüilize-se Clinton. Isso não é problema!! Por estas bandas pode até ser um predicado, e dos bons. Por aqui tem advogado que acha que dever imposto é um ato de cidadania, também advogar contra quem lhe paga é perfeitamente normal. Mais que isso, tem um montão de gente que acha que esse que assim procede é um legítimo representante da categoria , que merece ser festejado e promovido !!! Uma felação a mais ou a menos, meu caro Clinton, não lhe prejudicará.

Já estou até pensando no seu futuro caro colega. Nacionalizado você pode sentar numa cadeira de alguma Corte da nossa Justiça, exceto o STF. Que tal tentar? O conceito de ética por aqui é meio diferente do daí meu caro Clinton. É mais elástico e serve para atender interesses pessoais momentâneos. Enquanto você, assim me permita falar, aí não pode advogar porque "deu uns pegas", consentidamente, na estagiária, teu cuidado aqui será com teu grau de sinceridade. Feche a boca, não denuncie o errado, bajule, dê festas, você será considerado o melhor advogado do mundo por colunistas sociais, o que por estas bandas é um título inestimável. Não precisa ler livros, abrir códigos ou estudar, basta fazer salamaleques. Quem sabe, pode conseguir uma vaguinha pelo quinto constitucional numa Corte de Justiça?? E se algum ousado tentar questionar sua sabedoria a gente arruma um qualquer para entrar com processo ético contra ele, se ele tiver a ousadia de entrar na justiça pra obter liminar o alcunharemos de protelador, provocador, tumultuador, indigno, desequilibrado e doido. Pra segurar tua nomeação a gente pega os nossos amigos do Palácio e só você vai ter audiência com o Chefe do Executivo, nada de chance pros outros; eleição "risco zero". Clinton, venha pra cá, aqui é teu lugar.

A gente pode até fazer um escritório de advocacia.

 é procurador de Estado em Alagoas, com mestrado na UFPE e jornalista.

Revista Consultor Jurídico, 4 de novembro de 2001, 10h52

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