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Despedida de cacique

Conheça o discurso de renúncia de ACM

Nabuco disse:

"Se dos moderados não se podem esperar decisões supremas, dos exaltados não se podem esperar decisões seguras."

Foram os exaltados, os que fingem defender a ética, mas não a praticam, foram eles, através de um relator que cada dia opinava de uma maneira, a ponto de desconhecer, ele próprio confessa, os fundamentos jurídicos que lhe foram entregues e que os considerou valiosos, mas não citou sequer, em qualquer das páginas do seu faccioso relatório.

O recalque e a inveja, mais que outros sentimentos humanos, explicam a maneira mesquinha como determinados homens se comportam, principalmente quando colocados frente a frente com outros homens que lhes causam inveja e os fazem recalcados.

Eu fui considerado prefeito do século em Salvador. Compreendo, embora não as aceite, sobretudo quando voltadas contra homens de bem, as atitudes de quem já foi considerado o pior prefeito de toda a história do Rio de Janeiro, não conseguindo, sequer, eleger-se vereador. Hoje, é juiz...

O recalque e a inveja às vezes são piores que o ódio. Peço a Deus que me livre desses sentimentos mesquinhos.

De qualquer sorte, lembro que os membros do Conselho de Ética não foram votados para perseguir inimigos ou adversários, e sim para fazer justiça aos representantes do povo que, por expressivas votações, aqui chegaram e cujas lideranças e história, a injustiça que praticaram não apagará jamais.

A regra de ouro das democracias é de que todo poder emana do povo e em seu nome será exercido. De onde decorre que o mandato popular é sagrado e aqueles que têm o poder de arrancá-lo do seu legítimo titular devem lidar com esse poder como quem lida com uma coisa sagrada, conscientes da soberania do mandato popular conseguido em eleições livres e legítimas.

Para que um mandato assim conquistado seja cassado, é preciso que se obedeçam rigorosamente às leis e que haja motivos tão grandes e fortes que sobrelevem à vontade popular.

Confio na Bahia e no Brasil, confio, acima de tudo, em Deus, que voltará os seus olhos piedosos para este Parlamento, para que ele melhore, a cada dia, e que não viva do ódio que não constrói, mas que, infatigavelmente, circula no sangue de alguns histriônicos demagogos nesta Casa.

Não pensem que estão decidindo o meu destino. Quem decide o meu destino é a Bahia, é o seu povo e não uns falsos arautos da moralidade que, quando se olham no espelho, riem porque estão enganando a si mesmos.

Espero, confiante, que essa fase da imprensa, do rádio e da televisão, principalmente, passe, pois nunca houve, neste País, um envenenamento da opinião pública como agora, numa técnica de fazer inveja aos regimes totalitários, em seus momentos mais cruéis.

O caminho da minha vida poderia ter sido mais suave, se eu me tivesse calado às ignomínias praticadas por aqueles que, por dever, deveriam ser guardiães da vida pública.

Preferiram fechar os olhos ao que acontecia, contanto que se fizesse uma aliança política, espúria de nascença, aparentemente sólida, porém, com vultosos custos ao Brasil.

Sempre lutei contra isso. E tenho documentos em mãos para provar que o alerta foi dado em tempo hábil, a quem de direito, mas não foi acatado.

Como disse um grande brasileiro no parlamento, aqui se habituou a tudo ter o nome trocado. O agredido é chamado de agressor, o caluniado de caluniador. Aponto um crime, chamam-me criminoso, e o que é pior, aponto vultosos roubos e sou comparado, com a vida honrada que tenho, aos ladrões.

Não era, pois, possível denunciar tudo, sem pagar alguma coisa. O preço pode ser alto para mim e para os meus queridos amigos que sofrem comigo as injustiças, mas esperam o momento para o acerto final, que só se fará quando a impunidade acabar e os criminosos, sobretudo os grandes criminosos, pagarem pelos seus pecados. E, por mais que os paguem, ainda serão devedores.

Há três meses, repito, não se fala em outra coisa, senão no crime que não cometi. Paralisa-se a vida da Nação para que, talvez às escuras, nos apagões, os crimes possam ser multiplicados.

Cito Rui:

"Minha Pátria nunca me colheu em ações que não a honrassem. Os ataques imerecidos ressentem contra os seus autores. As injustiças voltam de ricochete aos injustos. Os escândalos da ira e da soberba repincham à face dos escandalosos. Esses desequilíbrios o que inspiram é comiseração e desprezo"..

Revista Consultor Jurídico, 31 de maio de 2001, 0h00

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