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Despedida de cacique

Conheça o discurso de renúncia de ACM

O senador Antonio Carlos Magalhães renunciou na quarta-feira (30/5). Durante o pronunciamento no Senado, fez duras críticas ao Governo e ao Judiciário, responsabilizando-os pelo "apagão moral do país".

Veja, na íntegra, o discurso de ACM

No momento em que a maior justiça se encontrou com a maior injustiça e, no dia em que o erro supremo se defrontou com a suprema verdade, nesse dia o juiz, o representante do Poder Estatal, que era Pôncio Pilatos, em face à perturbadora fúria, em face das multidões arrebatadas, esquecendo-se dos deveres morais que incumbiam à sua pessoa e dos misteres políticos que incumbiam ao seu cargo, respondeu com estas palavras melancólicas: "Mas o que é a verdade?"

Eu, no entanto, lhes pergunto: o que é a mentira? E lhes respondo: mentira é a farsa que se montou para tentar interromper uma das mais longas e conceituadas vidas públicas de serviços prestados ao seu Estado e ao seu País.

A mentira é a farsa que alguns montaram, com a ajuda de poderosas forças, para calar-me no Parlamento.

Mas não me calarão nas ruas, em toda parte, onde desmascararei, como tenho feito, os ladrões do Erário, os inimigos da verdade, os criminosos de todos os crimes.

Foram muitos desses, os julgadores de minha conduta ética, quando na verdade alguns sequer podiam julgar a conduta de quem quer que fosse, pois são desprovidos de conduta própria para ser julgada.

Há mais de três meses as atenções do País estão voltadas para mim, como se eu fosse o principal problema do Brasil, aliás, como se eu fosse algum problema para o Brasil. É a tática do diversionismo.

Falam de Antonio Carlos Magalhães, submetem-no ao mais torpe processo de linchamento político de que se tem notícia na história do país, enquanto as questões mais cruciais, quer no plano econômico, quer no plano moral, continuam a se agravar diante da inércia e da incompetência de seus principais governantes. Existe crime mais grave? Seu autor, porém, por se julgar acima do bem e do mal, passa pela história como se com ela não tivesse o menor compromisso. Imunidade? Não. O nome disso é Irresponsabilidade criminosa. Tudo o surpreende!

O povo brasileiro já não tem porque acreditar nos rumos seguros da nossa economia. A situação do país é muito grave, embora o principal artífice do governo sempre vá para a televisão de modo risonho dizer o contrário. Permito-me citar alguns números.

De dezembro de 94 a março último, a dívida líquida do setor público quase quadruplicou: pulou de 153 bilhões para 589 bilhões de reais. Ela, que em 1994, representava 28,1% do PIB brasileiro, hoje já equivale a 50%.

O passivo externo líquido, que antes do atual governo era de 205 bilhões de dólares, hoje quase dobrou, atinge à casa dos 399 bilhões de dólares, o que representa quase 70% do Produto Interno Bruto.

Só entre dezembro de 2000 e março último, a dívida líquida do setor público cresceu em 25 bilhões de reais, o equivalente a aproximadamente 10 bilhões de dólares, dinheiro que, se investido no setor elétrico nos últimos cinco anos, teria poupado os brasileiros das agruras dos inevitáveis apagões.

São números oficiais, fornecidos por órgãos públicos como o IBGE e o Banco Central, e que apontam ainda que, entre 1994 e o ano 2000, a taxa de desemprego cresceu de 5,1% para 7,2%, enquanto a carga tributária total, que antes do governo Fernando Henrique Cardoso representava 27,9% do PIB, hoje já equivale a 32%.

A dívida interna e, sobretudo agora, a externa se multiplicam de maneira a tornar, dentro de pouco tempo, o país economicamente inviável.

A menos que aconteça o milagre de uma mudança radical, os investimentos cairão assustadoramente. A inflação, ainda contida, dificilmente não voltará.

É uma bomba de efeito retardado para o próximo governo.

É meu dever alertar os homens de bem, aqueles que têm responsabilidade na vida econômica do Brasil, para que procurem, com a velocidade que a situação reclama e impõe, saídas que possam trazer um mínimo de felicidade ao nosso povo sofrido e um pouco de independência à nossa aviltada Nação.

Revista Consultor Jurídico, 31 de maio de 2001, 0h00

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