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Redescoberta

Crescem as relações comerciais entre Brasil e Portugal

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Meio milênio depois da chegada de Cabral às magníficas praias da Bahia, portugueses e brasileiros estão se redescobrindo no plano econômico. Os investimentos portugueses no Brasil dispararam de US$ 202 milhões, em 1996, para US$ 1,3 bilhão apenas no primeiro semestre de 2000. Em 1999, o Brasil exportou US$ 300 milhões a Portugal, de quem importou US$ 150 milhões. Esses números devem ter chegado respectivamente a US$ 400 milhões e US$ 200 milhões, no ano passado.

Portugal já é o terceiro maior investidor estrangeiro no Brasil. Mas como é um país pequeno, com população de apenas dez milhões de habitantes (menor que a da cidade de São Paulo), é o maior investidor estrangeiro per capita no Brasil. Cerca de 21% de todos os investimentos portugueses no exterior aterrissam em território brasileiro.

É preciso, também, analisar o perfil dos investimentos estrangeiros no Brasil. Se a presença lusitana já era tradicional em alguns setores (como o de supermercados), hoje ele se estende a inúmeras áreas. Nos últimos meses foram anunciados envolvendo empresas portuguesas das mais distintas especialidades. Em dezembro, a Eletricidade de Portugal (EDP), que já havia investido US$ 1,3 bilhão no Brasil, anunciou que pretende aplicar mais US$ 1 bilhão no país até 2005, principalmente na construção de usinas hidrelétricas e termoelétricas.

A holding Galpenergia está negociando com a Agip italiana uma participação na prospecção offshore de petróleo no litoral brasileiro. O grupo Mello está investindo US$ 20 milhões na implantação de programas de homecare - atendimento médico domiciliar. O grupo Pestana adquiriu o tradicional hotel Méridien, de Salvador (BA). Juntos, os grupos Pestana, Amorim e Sonae pretendem investir nos próximos anos US$ 500 milhões no setor hoteleiro do Nordeste, com destaque para o Ceará. Não por acaso, o fluxo de turistas portugueses rumo ao Brasil cresce dia a dia. Só o Estado de Pernambuco recebeu 28 mil visitantes lusos em 1999, contra 18 mil no ano anterior.

Mas é talvez na área da tecnologia que a presença portuguesa venha ganhando maior destaque. Segundo o Instituto de Comércio Exterior de Portugal (ICEP), cerca de 20% de todo o capital lusitano aplicado no Brasil em 2000 destinou-se aos setores tecnológicos de ponta. Em números, isso representa US$ 260 milhões somente nos seis primeiros meses do ano passado. Note-se que existem em Portugal aproximadamente 240 empresas de alta tecnologia, que faturam US$ 700 milhões ao ano.

Conhecido ao longo dos séculos principalmente pela excelência de seus vinhos e de seu azeite, Portugal vem demonstrando que tem muito mais o que apresentar ao século que nasce. Afinal, foi na terrinha que vieram à luz inovações tecnológicas importantes, como o celular pré-pago e o Via Verde, que substitui os postos de pedágio por um chip instalado no pára-brisas dos veículos. E o sistema de TV interativo da Novabase já disputa a liderança do mercado europeu.

Em dezembro, a Portugal Telecom, que já controlava a Telesp Celular, anunciou a aquisição das redes de transmissão de dados e de voz do Bradesco e do Unibanco. A mesma empresa absorveu 33% do Idealyze, megaportal criado pela Abril e que responde pelos importantes sites Paralelas (feminino) e TCINet (tecnologia). A manter-se o ritmo, em breve algumas das principais empresas lusas de alta tecnologia terão no Brasil negócios muito maiores do que no próprio país de origem.

Muito além de apenas indicar a presença crescente de empresas portuguesas no Brasil e o alargamento do escopo das companhias que aqui aportam, é importante ressalvar, ainda, que o investimento lusitano é muito diferente daqueles provenientes de outros países. O empresário e o executivo português que decidem apostar no Brasil não o fazem como opção tática. Não se trata de um investimento que, de uma hora para outra, pode zarpar rumo a qualquer paraíso pré-fabricado, mundo afora. Trata-se de um compromisso de longo termo. Ainda que mantenha suas raízes, a empresa portuguesa que aqui se instala transforma-se, em pouquíssimo tempo, em empresa luso-brasileira. Assim como o empresário, o executivo e o funcionário, que logo formam aqui suas famílias.

O volume dos investimentos portugueses no Brasil tende a crescer cada vez mais, com o Brasil operando como porta de entrada do Mercosul, enquanto Portugal oferece aos brasileiros a chave da União Européia. A 500 anos da chegada das caravelas de Cabral, estamos mais juntos. Falamos a mesma língua. Dividimos a mesma casa. E a casa é nossa.

 é Diretor-geral da Novabase do Brasil

Revista Consultor Jurídico, 28 de janeiro de 2001, 0h00

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