Julgamentos célebres:
Comece a explorar!

Joana d'Arc 

O julgamento da camponesa Joana d'Arc em 1430, aos 19 anos, é até hoje um dos mais célebres da História. Ela foi considerada culpada e morta na fogueira, mas absolvida 20 anos depois.

Joana nasceu em Domrémy, na França. Desde os 13 anos alegava ouvir vozes divinas, que afinal a levaram a liderar batalhas na Guerra dos Cem anos.

Sempre vestida como um homem, aos 16 anos, ela impressionou o delfim Carlos VII e obteve autorização para acompanhar as tropas que iam libertar a cidade de Orléans do domínio dos ingleses.

Depois de libertar Orléans, Joana ainda participou da vitória francesa em outras três batalhas. Após as vitórias, Carlos VII foi finalmente coroado, em Reims.

Joana d'Arc foi capturada em batalha e presa, sendo vendida para a Inglaterra. O processo contra ela teve início no dia 9 de janeiro de 1431, chefiado pelo bispo Pierre Cauchon.

Apesar da aparência de legalidade, os ingleses pagaram os juízes, e o resultado estava definido de antemão. Em dez sessões sem a presença da ré, ela foi acusada por heresia e assassinato.

Joana deveria ter ficado sob custódia da Igreja e ser vigiada por mulheres, mas foi aprisionada pelos ingleses e sua guarda era de homens.

Segundo testemunhas, ela foi vítima de várias tentativas de estupro, e por isso pediu para continuar usando roupas masculinas.

As acusações foram lidas só depois do início dos interrogatórios, o que também contrariava a lei.
A inquirição não seguiu os procedimentos, e há indícios de que os registros foram forjados.

Apesar disso, a compostura da ré impressionou testemunhas. Diante de perguntas elaboradas para fazê-la confessar suas heresias, ela reafirmava sua fé sem respostas diretas ou comprometedoras.

Condenada, Joana assinou sua abjuração e pôs um vestido, o que a protegeu da morte imediata. Mas ela foi presa novamente, e voltou a usar roupas de homem para evitar novas tentativas de estupro.

Se aproveitando do fato de que ela tinha cometido novas heresias, a Igreja finalmente pôde condená-la à morte. Ela foi queimada em praça pública, e seus restos mortais atirados no rio Sena.

Em 1455, depois que o papa Calisto III assumiu, o julgamento que a condenou foi anulado pelo Vaticano.
A condenação foi considerada injusta, maliciosa, fraudulenta, caluniosa e enganosa.

Em 1909, a Igreja Católica autorizou a beatificação de Joana d'Arc, e em 1920 ela foi canonizada pelo papa Bento XV. A Igreja Anglicana hoje também a reconhece como uma visionária.

Acesse nossas WebStories

Música: https://www.bensound.com
Imagens: Wikipedia.org