A Invenção do Monoteísmo - Deuses Feitos de Palavras – Sacha Calmon Navarro Coêlho

Resenha

 Uma biografia ( não autorizada ) de Javé, o Deus eletivo dos Judeus : o Deus-pai de Jesus e de Maomé, que vem a ser o Pai-nosso da Trindade cristã. Ou, a História das metamorfoses de Javé : um Deus menor (Elohim) no panteão celestial de EL –– o Deus maior do Olimpo cananeu ––, quando foi escolhido pela realeza de Judá, ao tempo do rei Josias, para tirar os judeus do politeísmo, a partir de um movimento denominado 'Javé sozinho'. De Deus exclusivo dos hebreus, para fazê-los invencíveis contra os outros povos, Javé passa a ser Deus supremo, para tornar-se único. E a monolatria engendra o monoteísmo. A Invenção do Monoteísmo é leitura obrigatória para entender essas mutações : de Deus menor cananeu a Deus exclusivo, depois tornado único, até tripartir-se na Trindade cristã, e dominar o ocidente. As religiões de hoje tornam-se incompreensíveis sem o conhecimento dessas reverberações históricas. 
A Bíblia é um dos best-sellers mais extensos da literatura mundial. Mas a imensa maioria de seus crentes conhece — se tanto – 2% do que ela encerra. Quanto à cronologia dos textos, os leitores não fazem a menor ideia, embora cada uma de suas partes refira-se a contextos históricos, econômicos e políticos distintos. Para a maioria, a Bíblia seria a palavra de Deus, ditada de uma só vez a Moisés, quando na verdade ela foi escrita a centenas de mãos, em épocas diversas, em diferentes idiomas (hebraico, aramaico, grego e latim), e depois vertida para as línguas modernas. A par disso, existem versões conflitantes : a Bíblia hebraica (Torá) distingue-se da Septuaginta (grega) e da Vulgata (latina), bem como das versões protestantes, católicas e ortodoxas. Some-se a isso as glosas, supressões, acréscimos e modificações de toda sorte operadas pelos escribas ao longo dos séculos. Mas a História não confirma suas proezas. Nem as façanhas dos patriarcas, nem a escravidão no Egito (um povo inteiro, por tanto tempo), nem o Êxodo, nem a campanha mágica de Josué — quando, supostamente, a terra de Canaã teria sido conquistada —, dentre outros feitos igualmente espetaculares. De fato, causa estranheza a ausência de registros extra bíblicos em outras línguas e em livros de História, embora sejam fartamente conhecidas as lutas e conquistas dos persas, caldeus, sumérios, assírios, babilônios, cartagineses, hititas, hindus, gregos, romanos, e das dinastias egípcias, desde 4.000 anos a.C. Aliás, antes da destruição de Israel e de Judá ( c . 700 e 550 a.C.) Javé era belicoso, prometedor, triunfante: anunciava maravilhas. Mas depois das derrotas ele se cala. Torna-se então um Deus ausente, esquivo e misterioso. E as venturas foram adiadas para uma outra vida... Seriam os Deuses feitos de palavras?

Sobre o autor

Ex-professor titular de Direito Tributário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Presidente honorário da Associação Brasileira de Direito Tributário (ABRADT) e da Associação Brasileira de Direito Financeiro (ABDF). Advogado militante.

Detalhes

ISBN 9788568275429
NÚMERO DE PÁGINAS 216
ANO DA EDIÇÃO 2016

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