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Consultor Jurídico

Alexandre diz que plano de manifestantes do 8/1 incluía prendê-lo e enforcá-lo

4 de janeiro de 2024, 14h41

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Os planos dos vândalos de 8 de janeiro envolviam até o homicídio do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, segundo apontaram as investigações. A informação foi dada pelo próprio ministro, em entrevista ao jornal O Globo.

Alexandre de Moraes Lide

Segundo Moraes, nas investigações e interrogatórios dos “golpistas”, foi descoberto que a ordem dos financiadores era que eles fossem para Brasília, invadissem o Congresso e lá ficassem até que houvesse uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem) para que o Exército os retirasse. A partir daí, eles tentariam convencer o Exército a aderir ao golpe.

“O que mostra o acerto em não se decretar a GLO, porque isso poderia gerar uma confusão maior, e sim a intervenção federal. Não que o Exército fosse aderir, pois em nenhum momento a instituição flertou (com a ideia)”, diz o ministro.

A investigação já chegou a alguns dos financiadores, divulgadores e instigadores e não há limites para onde deverá chegar, conforme o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

De acordo com Alexandre, o discurso de ódio do qual ele mesmo foi vítima fará necessária a regulamentação das redes sociais, que será uma bandeira importante do TSE no primeiro semestre de 2024.

Ele conta que foram descobertos três planos contra si. “O primeiro previa que as Forças Especiais (do Exército) me prenderiam em um domingo e me levariam para Goiânia. No segundo, se livrariam do corpo no meio do caminho para Goiânia. Aí, não seria propriamente uma prisão, mas um homicídio. E o terceiro, de uns mais exaltados, defendia que, após o golpe, eu deveria ser preso e enforcado na Praça dos Três Poderes. Para sentir o nível de agressividade e ódio dessas pessoas, que não sabem diferenciar a pessoa física da instituição.”

O ministro diz que a sua segurança continua a mesma desde que assumiu a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, em 2014, mas que a da sua família teve de ser aumentada. As maiores vítimas de ameaças são suas filhas.

“Esses golpistas são extremamente corajosos virtualmente e muito covardes pessoalmente. Então, chegam muitas ameaças, principalmente contra minhas filhas, porque até nisso eles são misóginos. Preferem ameaçar as meninas e sempre com mensagens de cunho sexual. É um povo doente”.

Sobre as críticas feitas às prisões e às penas dadas aos primeiros condenados, ele reafirma que quem faz a pena é a Legislação.

“Nunca vi alguém preso achar que a sua prisão é justa. Analiso as críticas construtivas, mas ignoro as destrutivas. Nenhum desses golpistas defende que alguém que furtou um notebook não possa ser preso. E eles, que atentaram contra a democracia, não podem? Os presos são de classe média, principalmente do interior, e acham que a prisão é só para os pobres. A Justiça tem que ser igual para todos.”

Segundo ele, se as penas máximas fossem aplicadas em todos os cinco crimes, os condenados pegariam mais de 50 anos, mas pegaram, no máximo, 17.

Em 2021, o governo sancionou a Lei 14.197/21, que revogou a Lei de Segurança Nacional, editada na ditadura militar, e que define os crimes contra o Estado democrático de Direito. O texto acrescentou novo título tipificando crimes contra a soberania nacional e contra o funcionamento das instituições democráticas.

Para Alexandre de Moraes a lição que fica é a de impedir a continuidade da “terra sem lei” nas redes sociais. “Sem elas (as leis), dificilmente (os atos golpistas) teriam ocorrido de forma tão massiva. Na parte criminal eleitoral, todos os políticos, quando houver comprovação de participação, devem ser alijados da vida política, além da responsabilidade penal. Quem não acredita na democracia não deve participar da vida política do país”.