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Paixão pelo U2 levou advogado a retomar hobby musical

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A vida do advogado Paulo Lilla, sócio da prática de Tecnologia, Proteção de Dados e Propriedade Intelectual do escritório Lefosse, mudou depois que ele foi a um show de sua banda favorita, o U2. Lilla mal pôde acreditar quando Bono, vocalista do U2, olhou pra ele, entre as 20 mil pessoas que lotavam o ginásio Madison Square Garden, em Nova York, e perguntou se ele sabia tocar a música “All I Want is You”.

Paulo Lilla Bono U2

Paulo Lilla ao lado de Bono durante o show no Madison Square Garden

Lilla respondeu que sim, e foi o que bastou para ele ser convidado a subir ao palco, onde recebeu um violão. Lá em cima, acompanhou Bono durante a canção inteira. “A música era difícil, começava com o violão e eu não tinha o aparelho no ouvido que eles usam para ouvir a contagem do ritmo. Foi nos ‘se vira nos 30’. Eu estava meio fora do tempo no início e ele começou a contar para mim”, lembra o advogado.

Essa história incrível, ocorrida em 2015, só foi possível porque, antes do show, ele teve a ideia de escrever um cartaz com os dizeres, em inglês: “Posso tocar violão com você?”. E Lilla não só tocou o violão, como está com ele até hoje. Ao fim da música, quando tentou devolver o instrumento, ouviu: “Agora ele pertence a você”. E ele cuida muito bem de sua preciosidade, que antes pertencia ao guitarrista The Edge.

O episódio resultou na retomada de um antigo hobby. Embora a arte já ocupasse um espaço importante em sua vida, uma vez que ele começou a tocar guitarra e violão aos 12 anos e já tinha se apresentado em bares na juventude, o hobby foi abandonado quando Lilla ingressou na faculdade de Direito. Mas, após aquele show, ele ganhou mais de dois mil seguidores no Facebook e causou o que considera um “burburinho” na comunidade jurídica. “Eu voltei e já tinha cliente querendo marcar reunião comigo para saber da história em detalhes.”

No ano seguinte, o advogado decidiu ressuscitar a guitarra e formou com amigos uma banda cover do U2. “Pesquisei o efeito que o The Edge usa, para reproduzir, e, desde então, estamos na ativa.”

Para Lilla, que já foi a mais de 30 shows do grupo mundo afora, o difícil não é tocar as músicas do U2, mas achar os efeitos da guitarra que são característicos da banda. Enquanto The Edge — eleito em 2003 o 38º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista americana Rolling Stone — costuma tocar mais de dez guitarras em um show, o advogado tenta reproduzir os sons com apenas uma.

“Nossa característica principal de semelhança é a sonoridade, que é fidedigna à original. Não é que a gente imite, não nos vestimos iguais a eles, com exceção do vocalista, que tem os trejeitos do Bono. É a sonoridade.”

Coisa séria
Embora Lilla faça questão de dizer que sua prioridade continua sendo a advogacia, e que a música é apenas um hobby remunerado, a banda vem crescendo. A U2 UltraViolet Tribute tem mais de quatro mil seguidores nas redes sociais e toca uma ou duas vezes por mês em bares de São Paulo como Morrison Rock Bar, O’Malley’s e Blue Note.

Para 2024, três shows já estão marcados, um para fevereiro, em Campinas, e dois para março, em São Paulo. “Era para ser um hobby e virou algo profissional, e só existe porque toquei com a banda em 2015.”

Embora a música e o Direito sejam áreas tão diferentes, Lilla enxerga como ponto de intersecção entre elas a questão da propriedade intelectual. “Isso envolve direito de entretenimento, direito de imagem. Em tecnologia, já se fala muito na digitalização da música, na tokenização de ingressos. O entretenimento é um meio muito digital”.