Opinião

Mais mulheres negras nos espaços decisórios. Bem-vinda, ministra Vera Lúcia

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6 de fevereiro de 2024, 13h19

Toma posse no cargo de ministra substituta do TSE a advogada Vera Lúcia Santana Araújo, mulher negra, gestora pública de larga experiência, com desempenho de importantes funções em órgãos governamentais e de defesa de direitos fundamentais.

A combinação dos dois prenomes dá conta de quem ela é: verdadeira luz! É um orgulho, cheio de emoção, receber a ministra Vera Lúcia para, juntas, nos assentarmos no Tribunal Superior Eleitoral, duas mulheres negras magistradas, inaugurando um novo tempo nessa esfera judicial tão cara à democracia brasileira.

Ministra Vera Lúcia Santana Araújo, do TSE

Ao fazermos história, também temos a oportunidade de rever a história. Rever a história do Brasil é resgatar o lugar e a importância da mulher negra nos espaços decisórios, para que o sonho de igualdade de gênero e equidade racial saia da letra fria da lei e se aplique na realidade pulsante da vida cotidiana.

A presença da ministra Vera Lúcia tornará o TSE mais vibrante, ainda mais inclusivo e comprometido com a pauta que defendemos com vigor: mulheres negras na fotografia do poder para a transformação da vida.

Herança estrutural
O momento é de extrema importância porque estamos criando possibilidades para derrubar a barreira da herança estrutural de desigualdade de oportunidades. É mais um passo dado, graças ao esforço coletivo, para mudarmos a insistente exclusão das mulheres negras nos cargos de liderança.

Destaco, recebendo a ministra Vera Lúcia, a necessidade desse olhar mais sensível do Poder Judiciário para as questões de gênero e de raça, em busca de reparação e promoção da diversidade, um compromisso já assumido pelo TSE na sua atuação prática, que ganha ainda mais vigor no ano em que são realizadas eleições em mais de 5.500 municípios pelo Brasil.

O Judiciário precisa dessa oxigenação que a entrada de pessoas que conhecem outras realidades traz, principalmente da população negra do país, compondo a imensa maioria da brasilidade.

Notadamente não estamos na quantidade que faça justiça ao quanto representamos, mas nossos passos seguem firmes. A presença da ministra Vera Lúcia no TSE é mais um passo nessa caminhada, que vem de longe.

Espaços decisórios nos foram negados historicamente, mas, mesmo assim, chegamos até aqui, num esforço de muitas, abrindo caminhos para que outras mulheres negras ocupem cadeiras também no Legislativo e no Executivo, que têm a mesma realidade de pouca representatividade feminina e negra, clamando por mudança.

Ocupação
A ocupação dos espaços de poder é a ação mais certa para garantir que as nossas vozes sejam ouvidas e consideradas, com cada uma de nós trazendo perspectivas únicas, com experiências raras na vivência da pluralidade brasileira, que precisam ser aproveitadas.

Nossa luta é por inclusão, é por cidadania, é por justiça. E que assim seja até o ponto de virar rotina, e não mais exceção, nossos corpos e vozes em todos os espaços.

A posse da ministra Vera Lúcia Santana Araújo, além de ser um reconhecimento da sua notável trajetória profissional, é a certeza de que ela desempenhará um papel de destaque no Tribunal, trazendo ainda mais excelência à Justiça Eleitoral.

Sua chegada é um exemplo para milhares de meninas e mulheres negras, uma inspiração, também uma afirmação de nossas capacidades, potências, inteligências e possibilidades de serem absolutamente tudo o que desejarmos.

Bem-vinda! Vamos juntas! Sejamos muitas!

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