memória contra ditadura

Celso de Mello elogia apoio de cardeal a nome de ex-reitora da PUC-SP em estação

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31 de outubro de 2023, 9h44

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello elogiou o apoio do cardeal dom Odilo Scherer ao projeto de lei estadual paulista que propõe incluir o nome da professora Nadir Kfouri (1913-2011), ex-reitora da PUC-SP, na futura estação de metrô PUC-Cardoso de Almeida.

Carlos Humberto/STF / Divulgação
Celso de Mello, ministro aposentado so STF

Segundo Celso, a posição do cardeal (que é grão-chanceler da universidade), "valoriza, enormemente, a justa homenagem com que se pretende honrar a memória" da professora, que morreu em 2011 aos 97 anos.

Nadir foi a primeira mulher reitora de uma universidade católica no mundo. O ministro aposentado ressaltou que o seu "imperecível legado" de defesa da democracia e das liberdades públicas "há de ser preservado, ad perpetuam, como importante lição para as presentes e futuras gerações de brasileiros".

A estação deve começar a operar em 2025, no bairro de Perdizes, em São Paulo. O PL, de autoria da deputada estadual Beth Sahão (PT), foi apresentado em resposta à decisão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de homenagear o coronel Erasmo Dias, expoente da ditadura militar, em um trevo rodoviário de Paraguaçu Paulista (SP).

Em 1977, o coronel, que ocupava o cargo de secretário estadual de Segurança Pública, comandou uma invasão à PUC-SP, para combater um ato público da União Nacional dos Estudantes (UNE).

À época, Nadir, que era a reitora, se recusou a apertar a mão de Dias — cena que foi fotografada e amplamente repercutida. Ela também contratou e protegeu professores perseguidos pelo regime militar.

Celso destacou que Nadir "soube resistir, com notável dignidade e exemplar firmeza à brutal invasão do campus dessa grande instituição universitária de São Paulo, executada, com truculência, abuso de poder e indescritível covardia, na noite de 22/9/1977, pelos esbirros da ditadura militar que então reprimia a luta pela restauração da ordem democrática e sufocava os anseios de liberdade do povo brasileiro".

O ministro aposentado era professor de Direito Civil na PUC-SP quando a invasão ocorreu. Além disso, tem histórico pessoal com Dias: durante o período da repressão militar, foi alocado na 4ª Promotoria de Osasco (SP) e enfrentou o secretário quando trabalhava junto à Vara da Corregedoria da Polícia e dos Presídios da cidade da Grande São Paulo.

Naquela época, conforme relatado pela revista eletrônica Consultor Jurídico, Erasmo Dias disse à imprensa: "Há um promotor em Osasco, um tal Celso de Mello, agindo subversivamente, colocando a população contra a polícia".

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