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Bretas foi chantageado por advogado em meio à “lava jato”, diz revista

31 de março de 2023, 17h43

Por Redação ConJur

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O juiz Marcelo Bretas, que comandou as decisões da finada "lava jato" no Rio de Janeiro e está afastado do cargo por decisão do CNJ, supostamente foi alvo de chantagem do advogado Nythalmar Dias Ferreira Filho. Em 2020, Ferreira Filho teria escrito uma carta endereçada ao magistrado em que cobrava certos comprometimentos assumidos pelos dois, falava de favores e ameaçava revelar informações que poderiam prejudicar Bretas. A carta e as informações foram publicadas pela revista Veja.

Fernando Frazão/Agência Brasil
O juiz Marcelo Bretas foi afastado
do cargo por decisão do CNJFernando Frazão/Agência Brasil

O documento está hoje em posse da Polícia Federal e do Ministério Público, e foi utilizado para respaldar a decisão de afastamento do CNJ contra o juiz. A carta diz que Bretas orientava as investigações de acordo com seus interesses, visando a alvos específicos, além de tentar envolver ministros do Supremo Tribunal Federal.

À época da "lava jato", Ferreira Filho era uma advogado relativamente desconhecido e chamou a atenção pelos casos de grande repercussão que assumiu. Ele afirmava, segundo a revista, ter proximidade com Bretas. O advogado, no entanto, também passou a ser formalmente investigado, e a partir disso teria começado a chantageá-lo.

Em um dos trechos da carta citados pela revista, Ferreira Filho faz referência ao episódio em que Bretas foi punido pela Justiça por conta da participação em um evento junto com o então presidente Jair Bolsonaro.

"Lembre-se que o encontro com o presidente foi suficiente para puni-lo. Imagine se todos souberem tudo o que eu sei, com as provas que tenho. Será o fim de suas — juiz e procuradores da FT — carreiras, trabalhos, imagens, famílias", escreveu o advogado na carta, segundo a Veja.

Entre os ministros do STF citados na publicação, está Gilmar Mendes, contra quem Bretas teria supostamente agido. "Tenho um grande acervo de tratativas, inclusive as mensagens do Messenger e Facebook, onde o senhor age contra o ministro Gilmar Mendes". Outro nome importante da "lava jato" citado é o empreiteiro Fernando Cavendish, que foi cliente de Ferreira Filho.

Na carta, ainda segundo a revista, o advogado afirma que Bretas prometera "aliviar" a pena do empresário caso ele optasse por uma colaboração. Hoje, o próprio advogado se tornou delator, e Bretas aguarda a finalização de seu processo no CNJ.