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Consultor Jurídico

Operações da PRF se concentraram no Nordeste, reduto de Lula 

30 de outubro de 2022, 19h17

Por Redação ConJur

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Desde a abertura da votação para o segundo turno da eleição presidencial uma série de relatos sobre operações da Polícia Rodoviária Federal tomou conta das redes sociais. A PRF estaria sendo usada, conforme eleitores do PT, para provocar constrangimentos, dificultar o deslocamento de eleitores do Nordeste e provocar uma abstenção maior do que a que tradicionalmente ocorre no segundo turno.

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PRF promoveu 272 ações na região Nordeste, reduto eleitorald e Lula
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Conforme dados levantados pela Globo, a reclamação petista encontra base concreta na realidade. Foram registradas 549 operações da PRF no início do dia. 49,50% (272 ações) ocorreram no Nordeste, 22,22% (122) foram no Centro-Oeste, 10,70% (59) no Norte, 8,74% (48) no Sudeste e outros 8,74% (48) no Sul. 

Segundo a jornalista Andreia Sadi, o próprio ministro da Justiça, Anderson Torres, foi escalado por Bolsonaro para fazer o uso político da PRF (que é subordinada ao ministério). Torres teria passado a semana em contato com assessores e encontrado o próprio presidente, diz a jornalista.

Uma das blitz que viralizou nas redes sociais ocorreu na cidade de Cuité, na Paraíba, em que testemunhas relataram à Folha de S.Paulo que apenas carros com adesivos da campanha de Lula eram parados. 

O prefeito Charles Camaraense (Cidadania) publicou um vídeo nas redes sociais para denunciar a ação da PRF. "Não quero acreditar que isso é uma ação orquestrada para o povo não votar, mas está acontecendo neste exato momento: blitz da PRF aqui na entrada de Cuité, impedindo que algumas pessoas possam vir votar. Parece orquestrado? Parece, sim", afirmou e vídeo. 

Em outro vídeo que circula nas redes sociais, o prefeito de Jacobina (BA), Tiago Dias (PCdoB), pede que os agentes da PRF parem uma blitz no dia da eleição.  "Nunca vi isso na minha vida", diz em um momento do vídeo.

O Exército, em conjunto com a PRF, também fez uma blitz na ponte Rio-Niterói que provocou engarrafamentos na região e atrapalhou a vida de muitos eleitores.  

Desobediência
As operações da PRF só acabaram após reunião entre o presidente do Tribunal Superior Eleitora, ministro Alexandre de Moraes, e o diretor da entidade, Silvinei Vasques no começo da tarde deste domingo. 

No sábado (29/10), o TSE já havia proibido a realização de operações pela PRF no dia da eleição. E, aparentemente, o descumprimento de decisão judicial foi deliberado.

Reportagem da revista Piauí apresenta mensagens do policial rodoviário federal Adalberto Alfredo Schumann, lotado em Brasília, que demonstram a intenção de desobedecer decisão judicial. "Ó a cara de alguém que tá preocupado com as determinações do ministro…,", escreveu ao enviar uma foto dele próprio.

"Só cumprindo o cartão programa e correndo atrás dos eleitores do Lula q saíram do cercado para votar e não conseguiram voltar…", completou. 

Repercussão internacional
As ações da PRF também foram objeto de cobertura de veículos estrangeiros. O jornal The Washington Post publicou uma série de denúncias em seu site.

"As tensões no Brasil estão altas neste domingo, quando o país profundamente dividido vota em uma eleição vista como a mais importante desde o colapso da ditadura militar em 1985", escreveu o jornal norte-americano. 

O The Guardian, por sua vez, publicou que o futuro de uma das maiores democracias do mundo e da floresta amazônica estava no fio da navalha e que existe suspeita de repressão eleitoral pró-Bolsonaro.