Vestindo a carapuça

Lenio Streck processa presidente do clube em que Seu Jorge sofreu racismo

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20 de outubro de 2022, 8h21

Após manifestar sua indignação com o episódio de racismo sofrido pelo cantor e compositor Seu Jorge no clube Grêmio Náutico União (GNU), em Porto Alegre, o jurista e colunista da ConJur Lenio Streck foi surpreendido com a informação de que estaria sendo difamado pelo presidente da entidade, Paulo José Kolberg Bing.

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Lenio Streck foi atacado após demonstrar indignação por racismo sofrido por cantor
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Em seu próprio Twitter, Streck tinha feito um post reprovando o comportamento racista do público que vaiou, xingou e imitou macaco após Seu Jorge se pronunciar sobre a morte de pessoas negras.

Em um áudio enviado em aplicativo de mensagens, que foi reproduzido por diversos sites e na mídia, o presidente do Grêmio Náutico disse que Lenio era um "advogado de esquerda renomado que se acha", "desqualificado" e que estava "falando bobagem". O áudio viralizou e tomou grandes proporções em todo o país.

Na ação, a defesa de Lenio, feita pelo advogado Márcio Berti, sustenta que Bing, ao enviar o áudio ofensivo, causou transtornos que extrapolam a normalidade, "transcendendo o mero dissabor, sobretudo em razão da grande repercussão nacional do áudio, que além de ter circulado através de diversas plataformas por todo o Brasil, foi divulgado amplamente pela grande imprensa, abalando, sem dúvida, a sua credibilidade".

Difamado por se posicionar contra o racismo, Lenio Streck é um dos principais juristas brasileiros e um dos três acadêmicos do Direito mais citados em publicações cadastradas no Google Acadêmico (Scholar) ao lado de Ingo Sarlet e do professor Celso Antônio Bandeira de Mello.

O caso
O cantor Seu Jorge se apresentou no clube Grêmio Náutico da União, em Porto Alegre (RS), no dia 14 de outubro. Mais para o final da apresentação, ele chamou ao palco um adolescente negro, tocador de cavaquinho.

O cantor falou brevemente contra a redução da maioridade penal, citando a morte de jovens pretos nas favelas, segundo relatos de testemunhas. Assim que ele deixou o palco, membros da plateia começaram a vaia-lo, chama-lo de "vagabundo", "safado", e a gritar "mito, mito", em referência ao presidente Jair Bolsonaro, além de imitações de macaco, também segundo relatos de pessoas presentes no show.

A Polícia Civil vai começar a ouvir testemunhas do caso nesta quinta-feira (20/10). O presidente do clube, Paulo José Bing, será o primeiro a depor para a delegada Andrea Mattos, titular da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI), segundo a Folha de S.Paulo.

A delegada afirmou ao jornal que já recebeu as imagens do show e deu prazo para o clube identificar a equipe organizadora. Depois disso, ela vai verificar o que foi dito e ouvir mais testemunhas. Ela ainda pediu, também de acordo com o jornal, que pessoas que presenciaram os atos se manifestem na delegacia ou pelo WhatsApp (51) 98595-5034.

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