Vergonha nacional

Em nota, Abracrim repudia ataque racista contra advogada no Paraná

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17 de novembro de 2022, 21h59

A Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim) divulgou nesta quinta-feira (17/10) nota de repúdio contra o ataque racista sofrido pela advogada Mariana Lopes, em Curitiba. 

Laurin Rinder
O caso ocorreu em uma unidade do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na quarta-feira (16/11). Segundo a advogada, uma funcionária pública se negou a atendê-la por causa da cor da sua pele. 

A causídica estava cuidando do processo administrativo de um cliente que precisava reagendar uma perícia quando a servidora perguntou a ela sua profissão. Ela respondeu que é advogada e teve de mostrar a carteira da OAB para que a servidora acreditasse. 

Mesmo assim, a funcionária do INSS se negou a fazer o reagendamento. A advogada, então, solicitou uma certidão que formalizasse o motivo da recusa, e em resposta a servidora disse: "Eu não vou te dar porque você é preta".

Mariana Lopes acionou a Comissão de Prerrogativas da OAB-PR, que foi até o local e deu voz de prisão à servidora. A PM foi acionada e a funcionária do INSS, encaminhada à sede da PF na capital paranaense. 

Leia a seguir a nota da Abracrim:

"A Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), através da sua Diretoria Nacional, Presidências Estaduais e Presidências das Comissões Nacionais, vem a público REPUDIAR o ato de racismo sofrido por sua associada, advogada Mariana Lopes, que foi vítima de DISCRIMINAÇÃO RACIAL por parte da servidora pública CÁTIA YOSHIDA em uma unidade do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na cidade de Curitiba, capital do Paraná.
Mariana Lopes estava no exercício da advocacia no momento que a servidora em questão se negou a atendê-la em razão da sua cor, executando prática racista que, além de ofender e humilhar a honra da vítima, cerceia direito fundamental.
Práticas racistas devem ser tratadas com rigor que preconiza a Lei 7.716/89 e rechaçadas coletivamente de forma enérgica. Neste sentido, a Abracrim se solidariza com a advogada Mariana Lopes e reafirma o compromisso com a promoção da igualdade étnico-racial, de gênero, sexual, religiosa, repudiando toda e qualquer manifestação de preconceito contra qualquer grupo social historicamente discriminado nesse país. E reforça que acompanhará de perto as ações das autoridades para que haja a responsabilização adequada da responsável pela prática discriminatória.
Importante lembrar que no próximo dia 20 de novembro comemoramos em nosso país o Dia da Consciência Negra, mais que uma data, um dia para reflexão e para reconhecimento de que o combate ao racismo é um dever diário de todos. A permanente construção do Estado Democrático de Direito se baseia na luta continua contra tudo que atenta à dignidade humana e a Abracrim segue firme nesta trincheira, repudiando práticas deploráveis como o racismo, hoje e sempre".

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