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Consultor Jurídico

Protagonismo das mulheres no Direito dá sinais de crescimento

8 de março de 2022, 18h30

Por Redação ConJur

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Feito inédito no país, a vitória das advogadas Patrícia Vanzolini, Marilena Winter e Daniela Borges nas recentes eleições para a presidência das seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo, Paraná e Bahia, respectivamente, serviu para provar o crescente empoderamento feminino em postos de comando no meio jurídico.

Reprodução
Cada vez mais escritórios brasileiros
contam com mulheres no comando

E esse fenômeno, tão tardio quanto bem-vindo, não se limita às associações que representam a classe, ele também se observa no ambiente corporativo do Direito, onde cada vez mais mulheres exercem papéis que até pouco tempo atrás lhes eram negados.

Exemplo concreto dessa tendência, Andressa Barros, CEO do escritório Fragata e Antunes Advogados, conta um pouco de sua história:

"Iniciei minha carreira no Fragata e Antunes em 2000. Cresci aqui e me tornei sócia. Em 2013, recebi um convite para pilotar um projeto em outro escritório de grande porte e lá assumi a gestão da controladoria nacional, desenvolvendo várias soluções tecnológicas para a gestão do contencioso. Em 2020, fui convidada a retornar ao Fragata e assumi a banca como CEO. Sou uma das poucas mulheres nessa posição".

Outro caso de sucesso em um meio ainda majoritariamente masculino é a advogada Monica Escanho, diretora jurídica da Heineken Brasil. Na empresa há 24 anos, ela atualmente é responsável pelo contencioso da companhia. "Meu maior desafio é reduzir o passivo e prevenir o futuro. A ideia é utilizar ferramentas tecnológicas para o atingimento dessa meta".

Profissional de destaque no setor de inovação, a advogada Lívia Carolina, diretora de operações da Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L), festeja a tendência. "É incrível ver tantas mulheres inovadoras em liderança dentro desse ecossistema, e sendo elas associadas da AB2L dá um orgulho maior ainda", destaca ela. "Fico feliz em apoiar a transformação do Direito através das lawtechs, trabalhando em conjunto para que o ambiente regulatório seja favorável à inovação e que a sociedade se beneficie de uma nova experiência de justiça através de dados, tecnologia e foco nas necessidades do ser humano".

Lilian Toledo, analista de políticas públicas do Sebrae Nacional, conta que se orgulha de sua trajetória na instituição. Ela também é advogada e, nas horas vagas, atua como influenciadora digital com um perfil de divulgação de docerias e cafés em Brasília com mais de 37 mil inscritos.

"O Sebrae é entidade nacional que trabalha desde 1972 em prol do empreendedorismo. Minha atuação é focada em políticas públicas que ampliem o acesso à Justiça, e meu principal desafio é promover a desjudicialização de conflitos empresariais", explica ela.

Velhos obstáculos
Apesar de todas as conquistas, as profissionais ainda encontram dificuldades ligadas à questão de gênero. Luiza Leite, CEO da Dados Legais e especialista em segurança digital, cita um dos obstáculos:

"Startups fundadas e lideradas por mulheres demandam um esforço extra para conseguir aporte de investimento de risco. Uma das dificuldades em ser jovem e empreendedora é conseguir mostrar autoridade para o mercado, mostrar valor e potencial", explica a advogada. "Ficamos contentes em ter contornado os impactos econômicos da crise sanitária e estarmos conduzindo a empresa para o seu crescimento".

Além da dificuldade de inserção em uma área dominada por homens, profissionais com esse perfil muitas vezes têm de conciliar obrigações familiares com as decisões de negócios. Nesse sentido, números do DataSebrae mostram que 9,3 milhões de mulheres estão à frente de negócios no Brasil. Destas, 45% são a principal renda da casa.

Reduzir a diferença entre os gêneros pode ser, por outro lado, uma das maneiras mais positivas de impactar a economia. A avaliação consta de estudo divulgado pelo Boston Consulting Group, que apontou que o PIB mundial poderia ser elevado entre US$ 2,5 e US$ 5 trilhões apenas igualando homens e mulheres em altos cargos executivos. Com a cabeça no futuro, vários escritórios brasileiros já vivem essa realidade, como é o caso do Kincaid Mendes Vianna Advogados. 

"No nosso escritório, contamos com 54% de mulheres no quadro total de profissionais, já os cargos de liderança são ocupados por 47% de mulheres. Nosso compromisso é proporcionar um lugar onde mulheres inspirem outras a crescer cada vez mais", conta Camila Mendes Vianna Cardoso, sócia da banca. "Tenho orgulho de ver que nós, mulheres, conquistamos nosso espaço pela competência, não apenas pela necessidade da igualdade de gênero. Batalhamos para hoje andarmos lado a lado dos homens que nos respeitam", afirma Juliana Bumachar, sócia do Bumachar Advogados Associados e primeira conselheira federal da OAB pelo Rio de Janeiro.