"Vaza jato"

Para Dallagnol, críticos de investigação que levou a suicídio de reitor são "imbecis"

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18 de janeiro de 2022, 12h41

A atuação dos procuradores da finada operação "lava jato" não para de surpreender. A revelação das mensagens trocadas entre os integrantes da autodenominada "força-tarefa" instalada em Curitiba, sob o comando do ex-procurador Deltan Dallagnol, ganhou um novo episódio nesta terça-feira (18/1).

O site The Intercept Brasil revela que Dallagnol chamou de "bando de imbecis" os críticos de uma investigação que levou ao suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier.

Fernando Frazão/Agência Brasil
Para Dallagnol, críticos eram "imbecis". Fernando Frazão/Agência Brasil

O reitor se suicidou depois de ser acusado, até hoje sem provas, de ter desviado recursos da instituição que dirigia. A operação foi conduzida pela delegada Erika Marena, da Polícia Federal. De acordo com o site, em troca de mensagens somente agora reveladas, ambos tentam relevar a atuação da "lava jato".

"Erika, vi a questão do suicídio do reitor da UFSC. Não sei o que passa pela sua cabeça, mas pelo amor de Deus não se sinta culpada. As decisões foram todas dele. Não sei se publicamente houve algum ataque, mas se Vc quiser qq expressão pública de solidariedade, conte comigo", escreveu Dallagnol quatro dias após a morte do reitor. O diálogo ocorreu no aplicativo Telegram.

E continua o ex-procurador, que agora procura se lançar na política. "Erika, eles não prevalecerão. É um absurdo essas críticas. Um bando de — perdoe-me — imbecis. Nessas horas, quando há maior pressão, o importante é focarmos na realidade crua: Vc respeita todas as regras, atuou 100% corretamente e como fazemos em TODOS os outros casos. Não fique chateada, amiga, que eles não merecem. Vc sabe que no processo de luto uma das fases é RAIVA, e faz parte que pessoas que se sensibilizem procurem atribuir culpa, mas isso é absolutamente injusto. Conte com meu apoio e minha prece", escreveu Deltan em um outro trecho da conversa. "E se quiser conversar saiba que sempre terá aqui um ouvido amigo", completou.

Prisão
Na manhã de 14 de setembro de 2017, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, foi preso junto com outros seis professores universitários em um inquérito que a Polícia Federal apelidou de "ouvidos moucos".

A ação envolveu 105 policiais federais, delegados e escrivães que, além das prisões, cumpriram 16 mandados de busca e apreensão e cinco de condução coercitiva. Mais de 120 servidores públicos, a maioria vinda de outros estados, acionados para mais uma ação espetacular.

Era mais uma etapa das operações espetaculosas levadas a cabo pela "lava jato". Solto no dia seguinte, Cancellier foi proibido de frequentar a universidade. Voltou ao campus só 19 dias depois, em um caixão. Para ser velado e homenageado depois de se jogar do sétimo andar do Beiramar Shopping, em Florianópolis. No dia em que se matou, vestia uma camiseta da UFSC e trazia no bolso um bilhete: "A minha morte foi decretada quando fui banido da universidade!!!"

O episódio é o tema de um livro do jornalista Paulo Markun, que durante dois anos estudou as 20 mil páginas do processo e entrevistou 50 pessoas. O livro livro Recurso Final: A investigação da Polícia Federal que levou ao suicídio de um reitor em Santa Catarina, conta  a história e de como Cancellier desistiu da vida. Markun concedeu entrevista à ConJur sobre a obra em novembro do ano passado.

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