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Questão de competência

Análise de HC de desembargador punido pelo CNJ deve ser feita pelo Supremo

Reconhecida a incompetência do Superior Tribunal de Justiça, o presidente da Corte, ministro Humberto Martins, determinou o encaminhamento ao Supremo Tribunal Federal do pedido de Habeas Corpus impetrado pela defesa do desembargador aposentado Carlos Luiz de Souza, condenado em processo administrativo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) à pena de aposentadoria compulsória por venda de decisões no Tribunal de Justiça do Tocantins.

Para Humberto Martins, STF deve julgar HC impetrado contra tribunais superiores 
Luiz Silveira/Agência CNJ

Martins ordenou o envio do caso para o STF ao declarar a incompetência do STJ para apreciar o pedido da defesa, que pretende anular o processo judicial no qual o desembargador é acusado dos crimes de corrupção passiva qualificada, associação criminosa e concussão.

A ação penal contra o magistrado e outros 17 réus acusados de envolvimento no esquema de venda de decisões judiciais no TJ-TO foi instaurada pela Corte Especial do STJ em 2015. O relator, ministro Mauro Campbell Marques, determinou a remessa dos autos para o seu processamento e julgamento na Justiça de primeiro grau do Tocantins, em junho de 2021.

Segundo o magistrado, no decorrer da instrução penal, não restou nenhuma autoridade com foro por prerrogativa de função que justificasse a competência criminal da corte superior no caso, diante da superveniente aposentadoria compulsória, decretada pelo CNJ, dos desembargadores denunciados.

No HC apreciado pelo ministro Humberto Martins, a defesa de Carlos Luiz de Souza alegou a ocorrência de nulidades processuais ao longo da tramitação da ação penal no STJ.

Em sua decisão, o presidente da corte afirmou que a Constituição — artigo 102, inciso I, alínea i — estabelece a competência do STF para a apreciação de HC impetrado contra ato de tribunal superior. Com esse fundamento, Martins determinou que o caso fosse remetido ao STF, para o seu devido processamento e julgamento.

Clique aqui para ler a decisão
HC 712.272




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Revista Consultor Jurídico, 5 de janeiro de 2022, 13h13

Comentários de leitores

1 comentário

Uma balança e um falso dilema

Rafael Calegari (Serventuário)

Se Carlos Luiz de Souza for culpado, uma eventual condenação dele no processo penal perante o juízo competente deve aliviar as pressões da sociedade contra a magistratura no combate à impunidade de magistrados corruptos. Acredito que as autoridades do Ministério Público e Poder Judiciário que atuarem direta ou indiretamente nesse processo devem também pesar na balança o que a classe da magistratura e a do “Parquet” tem a ganhar e o que tem a perder em termos de prestígio e, posteriormente, em amparo popular e poder de barganha no cenário político. É lamentável falar-se nestes termos, mas chegamos a este ponto.

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