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Bancos aumentam taxas de empréstimos com altas seguidas da Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) é o órgão do Banco Central responsável por determinar a taxa básica de juros da economia. Os membros se reúnem a cada 45 dias aproximadamente para tomar essa decisão. Na última reunião, dia 17 de março, a taxa Selic novamente foi ajustada, passando de 10,75% para 11,75% ao ano.

Como esta taxa é levada em conta para calcular a taxa de juros dos empréstimos e outras operações, é esperado um aumento das taxas que são cobradas aos clientes no momento de realizar qualquer operação de crédito.

No entanto, as taxas de juros das operações de crédito não mudam na mesma proporção que a taxa de referência, de fato alguns bancos não mudaram em abril suas taxas, mantiveram a média que estavam cobrando em março.

Isto foi constatado pelo Núcleo de Inteligência e Pesquisas da Escola de Proteção e Defesa do Consumidor da Fundação Procon de São Paulo. Nos primeiros dias de abril fez uma pesquisa para coletar dados em relação às taxas de juros dos empréstimos pessoais e do cheque especial cobradas aos clientes pessoa física.

Agência Brasil

Para isto, apenas foram considerados seis bancos: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú, Safra e Santander. As taxas máximas pré-fixadas coletadas são das operações contratadas por qualquer canal (diretamente nas agências, pelos aplicativos, ou nos caixas eletrônicos, etc.) por clientes não preferenciais. No caso do crédito pessoal para um período de 12 meses e no caso do cheque especial de 30 dias.

Aumento das taxas de juros dos empréstimos
De acordo com a pesquisa, a taxa média dos créditos pessoais teve uma variação positiva de 1,04%, chegando a 6,77% ao mês. Um aumento de 0,07 ponto percentual em relação ao mês de março, que foi de 6,70%.

Entre os bancos listados, o que fez o maior aumento foi o Banco do Brasil. O juro médio passou de 5,9% para 6,17% ao mês, isto é, uma variação positiva de 3,01%.

Com uma variação positiva bem menor, de 2,06%, segue o Bradesco, que passou de cobrar taxas de 8,26% em março para 8,43% em abril. O Itaú teve uma alteração de apenas 0,99%, a taxa passou de 8,10% ao mês para 8,18% a.m. Enquanto que os demais bancos não mostraram alterações na taxa média praticada.

Na prática, há pouca diferença para o consumidor. Por exemplo, ao simular um empréstimo no Banco do Brasil de R$ 3 mil com taxas de 6,70% a.m., fica em R$ 4.460,28 considerando o prazo de um ano da pesquisa (12 parcelas de R$ 371,69), e um crédito com a taxa média atual ficaria em R$ 4.477,08 (12 vezes de R$ 373,09). A diferença no mês seria de apenas R$ 1,40 e no total do crédito, de R$ 16,08.

Com os reajustes feitos pelos bancos a taxa média de cada banco ficou assim:

Instituição Financeira

Taxa média do Crédito Pessoal (a.m.)

Caixa Econômica Federal

4,05%

Safra

5,90%

Banco do Brasil

6,17%

Santander

7,89%

Itaú

8,18%

Bradesco

8,43%

Cheque especial: as taxas permaneceram iguais, mas são altas
De acordo com a Resolução nº 4.765, publicada no dia 27 de novembro de 2019, nenhuma instituição financeira pode cobrar uma taxa de juros do cheque especial para pessoa física superior aos 8% ao mês.

Esta medida é cumprida nestas instituições financeiras, mas a taxa média cobrada está em um valor bem próximo ao limite. Neste mês não houve mudanças nas taxas cobradas. A média ficou em 7,96% ao mês. Valor no qual está estacionado desde fevereiro de 2021.

O banco que menos cobra e faz com que a média não seja do limite é o Banco do Brasil:

Instituição Financeira

Taxa média do Cheque Especial (a.m.)

Banco do Brasil

7,73%

Bradesco

8,00%

Caixa Econômica Federal

8,00%

Itaú

8,00%

Safra

8,00%

Santander

8,00%

Mesmo sem o aumento das taxas cobradas no cheque especial e com o leve aumento das taxas dos empréstimos, é conveniente não utilizar o cheque especial. Isto porque ao comparar com outras operações de crédito as taxas cobradas no cheque especial são muito altas, além disso o prazo de pagamento é mais curto.

Por exemplo, para um cliente da Caixa Econômica Federal, fazer uma operação de R$ 1200 é mais conveniente solicitar um crédito pessoal onde pagaria comodamente 12 parcelas de R$ 128,23, e no final do ano teria desembolsado R$ 1.538,76, sendo R$ 338,76 os juros da operação. Do que ter que pagar os R$ 1.200 de uma só vez.

Claro, não em todas instituições financeiras o cliente irá encontrar vantagens, pois cada uma tem a liberdade de colocar as taxas que achar mais conveniente. Por exemplo, no caso do Santander, a taxa média do empréstimo é apenas 0,11 p.p. menor que cheque especial, assim o único benefício é o prazo de pagamento. O mesmo acontece no caso das operações do Itaú e Bradesco que têm taxas maiores.

Vale a pena lembrar que as taxas indicadas são taxas médias, o que não significa que o cliente terá essa taxa no momento de fazer um empréstimo. Dependendo da sua análise de crédito pode conseguir taxas menores ou maiores.

Mas, sempre que for possível, é conveniente fazer um crédito pessoal ou um consignado, antes que usar o cheque especial. Além de considerar as taxas de juros, o cliente também deve considerar o prazo de pagamento das parcelas e qual será o impacto de cada uma no orçamento. Considerando que para quem não tem um salário muito alto não é o mesmo desembolsar R$ 128,23 do que R$ 1.200, se considerarmos o mesmo exemplo.




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Revista Consultor Jurídico, 26 de abril de 2022, 14h44

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