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Mesma tecla

Bolsonaro volta a ameaçar com ditadura, mas não consegue o público que queria

Em discurso para o público que se aglomerou na Esplanada dos Ministérios em Brasília nesta terça-feira (7/9), o presidente Jair Bolsonaro, mais uma vez, como tem feito diariamente, ameaçou o Supremo Tribunal Federal, especialmente o ministro Alexandre de Moraes, e prometeu não aceitar medidas, ações ou sentenças que venham do que chamou de “fora das quatro linhas da Constituição”.

A máquina publicitária do bolsonarismo conseguiu reunir multidões consideráveis em São Paulo e em Brasília — mas insuficientes para quem quer instaurar uma ditadura no país. Mas o presidente manteve sua retórica descabelada com a premissa de que o Judiciário e o Legislativo lhe devem obediência.

Ou o chefe do Judiciário enquadra seu ministro ou "pode sofrer aquilo que nós não queremos", disse Bolsonaro, ao público
Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Nós não mais aceitaremos que qualquer autoridade, usando a força do poder, passe por cima da nossa Constituição. Não mais aceitaremos qualquer medida, qualquer ação ou qualquer sentença que venha de fora das quatro linhas da Constituição”, disse, do alto de carro de som.

“Nós também não podemos continuar aceitando que uma pessoa especifica da região dos três Poderes continue barbarizando a nossa população. Não podemos aceitar mais prisões políticas no nosso Brasil. Ou o chefe desse Poder enquadra o seu ou esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos, porque nós valorizamos reconhecemos e sabemos o valor de cada poder da República”, ameaçou.

“Nós todos aqui na Praça dos Três Poderes juramos respeitar a nossa Constituição. Quem age fora dela se enquadra ou pede para sair”, acrescentou o presidente.

Em 20 de agosto, Bolsonaro pediu ao Senado o impeachment de Alexandre de Moraes, medida que foi repudiada pelo Supremo Tribunal Federal e pela OAB, e rejeitada pelo presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para quem não existem fundamentos para impeachment contra ministros do STF.

Nesta terça, Bolsonaro afirmou que Alexandre de Moraes “perdeu as condições mínimas” de continuar no STF. Disse aos manifestantes presentes que “nós todos aqui, sem exceção, somos aqueles que dirão para onde o Brasil deve ir”. E reforçou a ameaça golpista.

“Temos em nossa bandeira escrito 'ordem e progresso'. É isso que nós queremos. Não queremos ruptura. Não queremos brigar com poder nenhum. Mas não podemos admitir que uma pessoa turve a nossa democracia. Não podemos admitir que uma pessoa coloque em risco a nossa liberdade”, disparou.

“Esse retrato que estamos tendo nesse dia não é de mim, nem de ninguém em cima desse carro de som. Esse recado é de vocês. É um comunicado. É um ultimato para todos que estão na Praça dos Três Poderes inclusive eu, presidente da República para onde devermos ir. Cada um de nós deve se curvar à nossa Constituição Federal. Nós temos essa obrigação. Se queremos a paz e a harmonia, devemos nos curvar à nossa constituição”, acrescentou.




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Revista Consultor Jurídico, 7 de setembro de 2021, 11h57

Comentários de leitores

48 comentários

Presidente não consehue reunir ...

Arlete Pacheco (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Não sabia que o números de deficientes visuais era tão grande assim no país, a ponto de não conseguirem enxergar o tamanho das manifestações de 07 de setembro p. passado. Estou pensando seriamente em abrir uma fábrica de lentes para óculos. Creio que poderei ficar milionária!

Não consegue o público que queria?

Paulo M. Rosa (Estudante de Direito)

Pessoas insuficientes para quem quer instaurar uma ditadura no país? Que leitura estranha, parece que o autor está analisando manifestações em outro país. O povo na rua clamava por liberdade e pelo retorno do devido processo legal, que foi sepultado pelo STF.

Xxx

JA Advogado (Advogado Autônomo)

Trinta milhões de pessoas nas ruas, com bandeiras do Brasil, significam alguma coisa. Bolsonaro é o cara ? Talvez não, mas temos que fazer uma leitura desse Movimento. Algo não está bem. O Direito desconhece que a suposta vítima possa instaurar inquéritos contra o suposto agressor, decretar prisões e no final julgá-lo. não há precedentes NO MUNDO e precisamos refletir sobre isso.

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