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Senador nega

Alcolumbre recebeu ao menos R$ 2 milhões em "rachadinhas", diz Veja

O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) recebeu pelo menos R$ 2 milhões por meio do esquema de "rachadinhas", publicou a edição da Veja desta semana. A revista diz que seis moradoras do Distrito Federal foram contratadas como assessoras do parlamentar, mas que nunca trabalharam para o Senado.

O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP)Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Elas tinham vencimentos entre R$ 4 mil e R$ 14 mil, porém, não recebiam os valores de forma integral.

Após serem admitidas, diz a revista, as funcionárias fantasmas abriam uma conta em um banco e entregavam o cartão a uma pessoa de confiança do senador que sacava os salários e benefícios a que teriam direito.

Em troca, elas recebiam uma gratificação que, às vezes, não chegava a 10% do salário. Segundo a Veja, a prática começou em janeiro de 2016 e funcionou até março deste ano. O senador presidiu a Casa de 2019 a 2021. Os relatos à revista foram feitos pelas próprias mulheres.

Em nota publicada nesta nesta sexta-feira (29/10), o senador Davi Alcolumbre disse desconhecer o esquema de rachadinha em seu gabinete. O ex-presidente do Senado afirmou não ter envolvimento com as informações relatadas.

"Nunca, em hipótese alguma, em tempo algum, tratei, procurei, sugeri ou me envolvi nos fatos mencionados, que somente tomei conhecimento agora, por ocasião dessa reportagem. Tomarei as providências necessárias para que as autoridades competentes investiguem os fatos", diz o texto.

Atualmente, Alcolumbre preside a CCJ (Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça), uma das mais importantes do Senado. Nos últimos meses, ele tem sido criticado por travar a votação da indicação de André Mendonça para o STF (Supremo Tribunal Federal).

Ainda na nota, ele afirmou que a reportagem se trata de uma "orquestração por uma questão política e institucional da CCJ e do Senado Federal".

O esquema da "rachadinha", que consiste na prática de um servidor público ou prestador de serviços da administração desviar parte de sua remuneração a políticos e assessores, também já foi denunciada em outros gabinetes, como no caso do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), quando era deputado estadual no Rio, e no do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).




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Revista Consultor Jurídico, 29 de outubro de 2021, 17h32

Comentários de leitores

2 comentários

Quem não sabe disto?

Ney Pacobahyba (Advogado Sócio de Escritório - Trabalhista)

Antes de qualquer outra coisa, registro meu total repúdio ao sistema que hoje se convencionou chamar "rachadinhas". Mas me espanto com o destaque dado ao assunto, especialmente depois que um dos bolsonaros foi descoberto fazendo isto. Meu espanto decorre do fato de que ISTO OCORRE DESDE O IMPÉRIO. Para mim, só Eremildo, o Idiota, personagem do Elio Gaspari não sabia que os PARLAMENTARES DE TODO O BRASIL PEGAM DINHEIRO DE FUNCIONÁRIOS DOS GABINETES. Isto ocorre há mais de cem anos e nas câmaras federais, estaduais e municipais. Alias, é por isso que os parlamentares têm um número de "assessores" extraordinário, que não cabe nos gabinetes. No Rio, cada vereador tem 16 (ou mais) assessores. Mesmo que cada um fosse TRABALHAR DE PÉ COM UMA PRACHETA NA MÃO NÃO HAVERIA LUGAR PARA TODOS. ISTO SÓ É POSSÍVEL PORQUE A MAIORIA NUNCA VAI LÁ, só recebe o seu
"racha" no fim do mês. E no congresso esse número pode passar de 30. É UMA VERGONHA NACIONAL, mas ninguém fala nada e finge que não sabe porque, para cada parlamentar safado existem milhares de pessoas safadas que se locupletam também, recebendo sem trabalhar, em todo o país. Então vamos parar com essa palhaçada, vestir nossa carapuça de republiqueta pseudo-democrática e pronto. Ou alguém acredita que a VEJA só descobriu isso agora, com o Alcolumbre? E por que só ele está sendo "denunciado"? Se alguém descobrir, me fala, por favor?

Doutor alcolumbre

O ESCUDEIRO JURÍDICO (Cartorário)

Como bom burguês e político, gosta de dinheiro, noitadas e comida francesa.

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