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Menos é Mais

Caixa terá que indenizar cliente negativado por causa de 1 centavo

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Mesmo sendo inaplicável à Caixa Econômica Federal o regramento da responsabilidade civil objetiva do Estado, por se tratar a ré de empresa pública que executa atividade econômica de natureza privada, tanto órgãos públicos como suas empresas estão obrigados à prestação de serviços adequados, eficientes e seguros, respondendo na forma do CDC pelos danos derivados do descumprimento de tais deveres.

Cliente teve nome incluído em serviços de proteção ao crédito por inadimplência de 1 centavo
Reprodução

Com base nesse entendimento, o juiz Matheus Lolli Pazeto, da 4ª Vara Federal de Criciúma, condenou a CEF a indenizar um cliente que foi negativado por conta do erro de uma lotérica que cobrou um centavo a menos do que o valor acordado.

Segundo os autos, o cliente teve seu nome incluído no SPC/Serasa em decorrência de uma dívida com o banco, mas negociou um acordo e recebeu um e-mail com o boleto para pagamento no valor de R$ 1.215,91, no dia 20 de agosto de 2020, para quitar toda a dívida.

Apesar de fazer o pagamento, continuou negativado junto aos órgãos de proteção ao crédito devido a um erro da lotérica onde pagou o boleto, que cobrou um centavo a menos. Em sua defesa, a Caixa argumentou que não houve falha do banco no processamento do pagamento, já que o valor pago foi menor que o acordado.

Ao analisar o caso, o magistrado apontou que a própria Caixa, após o ajuizamento da ação, admitiu que o erro de apenas um centavo não poderia impedir a formalização do acordo e retirou o nome do autor do Serasa.

"Nesse contexto, inobstante o autor tenha adimplido o débito em 18/08/2020, a ré manteve o nome dele em cadastros restritivos de crédito até 31/12/2020. Assim, embora o caso não se trate de inscrição indevida, pois quando realizada era legítima, tem-se atraso na exclusão, o que configura um ato ilícito", ponderou o julgador.

Ele também lembrou que a inscrição indevida nos órgãos de proteção de crédito, por si só, acarreta dano moral, sendo desnecessária a comprovação de repercussão concreta à honra ou ao crédito do prejudicado. Diante disso, condenou o banco a indenizar o cliente em R$ 10 mil.

O autor da ação foi representado pelo advogado Fábio Ferreira Nascimento, do escritório Magnago & Augusto Advogados Associados.

Clique aqui para ler a decisão
5010341- 69.2020.4.04.7204




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 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 9 de outubro de 2021, 8h52

Comentários de leitores

2 comentários

10 mil?

Vinicius Maciel (Advogado Autônomo)

10? mil? ui

Sugiro uma terminologia mais técnica...

paulão (Advogado Autônomo)

Como as indenizações por dano extrapatrimonial têm - não importa a causa, a gravidade, nada enfim - variado em torno de R$ 10 mil, tenho sugerido a adoção duma unidade, a MRK (leia-se mérréka), com a qual, inteira ou fração, matam-se vários coelhos com uma só cajadada, seja o lesado, seja seu patrono (se houver, pois o desestímulo é total e o JÉKA, justiça de pobre, dispensa essa assessoria, atropelando a tal Constituição, vetusto, ultradesrespeitado e multiremendado papelucho), a "indústria" das ações indenizatórias - como toda indústria brasileira, falida e depauperada -, tornando-se a eventual ida ao juízo (virtual, pois não?) um "mero aborrecimento"... O duro é que essa casta não enxzerga que, ao aviltar o valor, avilta-se a si própria (e depois não quer entender o asco que lhe dedica todo o resto da sociedade). Deplorável!

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