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Procuradores da "lava jato" queriam envolver EUA em caso de compra de caças

Embora não ligassem para a quebra de empresas brasileiras, os procuradores da extinta "lava jato" de Curitiba queriam defender os interesses da multinacional norte-americana Boeing. A informação consta em uma nova leva de mensagens enviadas pela defesa do ex-presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (22/3). 

Diálogos envolvem compra de caças suecos. Tratativas começaram no governo FCH e terminaram na gestão Dilma
Ricardo Stuckert

Além do entreguismo puro e simples, os integrantes do Ministério Público Federal no Paraná sempre estiveram de olho em parte de eventuais multas aplicadas contra empresas nos Estados Unidos. 

As conversas envolvem a compra de nove caças da sueca Saab. A operação, que visava atualizar a frota da Força Aérea Brasileira (FAB) envolveu três gestões, começando com Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e sendo concluída no governo de Dilma Rousseff (PT). 

Ainda assim, os procuradores queriam pegar Lula por suposto tráfico de influência na negociação dos caças e, para isso, resolveram envolver autoridades dos Estados Unidos. 

"Vou verificar a situação da SAAB Gripen junto aos EUA, mas em princípio não são emissoras de ações lá. Então para haver o interesse americano, precisaremos identificar alguma conta bancária ou transmissão de email que tenha se valido de provedor americano (o que é fácil)", diz o procurador Paulo Galvão a colegas em 5 de agosto de 2016. 

"Não sei se eles conseguem atuar só com base no fato de uma empresa americana ter sido prejudicada na concorrência", prossegue. A empresa citada é a Boeing, uma das companhias que participou das negociações das aeronaves, mas acabou perdendo a concorrência para a Saab.

Como a "lava jato" considerava que o material disponível não era o suficiente para imputar crimes a Lula, já que "sem a intervenção [do ex-presidente] no financiamento, o fato é atípico", eles pretendiam identificar "um servidor público da ativa" na época da compra dos caças "para ser denunciado em conjunto" com o petista. 

"Importante destacar, à luz dos mesmos diálogos, que os membros da 'força-tarefa' agiram como uma espécie de despachantes de agências estrangeiras, em especial do DoJ [Departamento de Justiça dos EUA] e da SEC [Securities and Exchange Commission]", afirmou a defesa do ex-presidente no documento enviado ao STF. 

Defendem Lula os advogados Cristiano Zanin, Valeska Martins, Eliakin Tatsuo e Maria de Lourdes Lopes.  

"Nada de anormal"
Conforme mostrou a ConJur em 1º de março deste ano, o MPF não via "nada de anormal" na compra dos caças suecos. O ex-presidente acabou virando réu mesmo assim. 

Dois meses antes da apresentação da denúncia formal pelo MPF do Distrito Federal, o assunto foi abordado pelo procurador identificado como "Orlando SP", provavelmente Orlando Martello, que atuava no Paraná. 

Orlando comenta que as investigações apontaram não haver "nada de anormal" na opção pelos caças suecos, mostrando que "a questão foi vista mais como uma opção política justificável".

21 Sep 16
• "12:56:41 Orlando SP Sobre os caças. Nada de anormal na escolha. Tinha escolha normal, mas dentro da aeronáutica a questão foi vista mais como uma opção política, justificável em razão de transferência de tecnologia. Não correu boato sobre a escolha. Houve um upgrade no equipamento, depois de fechado o contrato, no valor aproximado de 1 bi. O detalhe é que uma empresa brasileira do RS foi constratada para auxiliar na implementação dos programas, transferência de tecnologia etc., mas o boato aí é que tinha favorecimento para filho de brigadeiro. A questão, entretanto, foi investigada pelo MP(F) e arquivaram a questão".

Rcl 43.007




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Revista Consultor Jurídico, 22 de março de 2021, 11h08

Comentários de leitores

5 comentários

A verdade

Professor Edson (Professor)

Com todo respeito, o texto é fraco tecnicamente, além do viés político ideológico, são fofocas ou babados que não apresentam correspondência com a verdade, e falar em entreguismo por parte do MP é simplesmente MENTIRA, a verdade aqui sem ideologias políticas, e muito menos sem esse ódio todo contra o MP é o seguinte. O Brasil precisava de novos caças, caças de combate de quarta geração e meia, tendo em vista que países como o Chile e a Venezuela já operavam caças dessa geração, o Chile com os F16 americanos e a Venezuela com os poderosos Sukhoi SU30 da Rússia , enquanto o Brasil somente possuía caças de terceira geração no caso o americano F5 Tiger, mesmo que modernizados pela Embraer ainda eram caças já de certa forma obsoletos, com isso o Brasil decidiu que precisava comprar pelo menos 36 caças de quarta geração e meia, três países então ofereceram oficialmente caças ao Brasil, os EUA com os F18 super Hornet o caça da marinha americana, a França ofereceu o caça Rafale e a Suécia o Saab Gripen NG, sendo que os TRÊS PAÍSES se comprometeram a repassar a tecnologia de fabricação, mas somente a Suécia realmente se comprometeu a repassar 100% da tecnologia sensível de fabricação, algo quase impossível da França e os EUA aceitarem, mas mesmo assim a presidente Dilma e o próprio Lula queriam os caças americanos F18 super Hornet, e eu não os culpo, é óbvio que é um caça de excelência, já inclusive testado em combate REAL, mas os militares claro queriam os caças suecos, pela tecnologia sensível toda repassada, por serem caças leves, pelo fato de ser monomotor, ter a hora de vôo mais barata entre os três caças e poder pousar em pistas curtas, o que se adequa as pistas da força aérea , mesmo assim o governo Dilma já tinha decidido pelos caças americanos....

Continuação

Professor Edson (Professor)

quando explode o Wikileaks e que o governo americano estava grampeando a Dilma, com isso a presidente ficou com muita raiva e decidiu no último minuto escolher então a opção que os militares queriam, o caça Gripen NG, se não fosse por isso os 36 caças escolhidos seriam os caças da Boeing.

Lava Jato Entreguista

Dr. Marco Seixas (Advogado Autônomo - Civil)

Geralmente a elite brasileira é entreguista. E geralmente quem passa em concurso da magistratura e do ministério público federal é da elite.

Veja o caso do incêndio na catedral de Notre Dame na França. Uma ricaça brasileira doou milhões para a reconstrução da catedral, e nenhum real para a reconstrução do museu no Rio de janeiro, também vítima de incêndio.

Não é de estranhar que os membros da lava jato tenham posturas entreguistas...

Se é que o "professor" é professor mesmo...

Harlen Magno (Oficial de Justiça)

... Devia abandonar o magistério e passar para a advocacia, porque nunca vi uma paixão igual para defender servidores públicos metidos em tantos escândalos como esse povo de Curitiba...

Comissão parlamentar de inquérito

O ESCUDEIRO JURÍDICO (Cartorário)

Diz o texto: "Embora não ligassem para a quebra de empresas brasileiras, os procuradores da extinta "lava jato" de Curitiba queriam defender os interesses da multinacional norte-americana Boeing. A informação consta em uma nova leva de mensagens enviadas pela defesa do ex-presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (22/3).
Além do entreguismo puro e simples, os integrantes do Ministério Público Federal no Paraná sempre estiveram de olho em parte de eventuais multas aplicadas contra empresas nos Estados Unidos.
As conversas envolvem a compra de nove caças da sueca Saab. A operação, que visava atualizar a frota da Força Aérea Brasileira (FAB) envolveu três gestões, começando com Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e sendo concluída no governo de Dilma Rousseff (PT)".

Os Procuradores de Curitiba deveriam ser responsabilizados pela crise econômica do Brasil.
É necessária a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito.

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