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Conheça a banca que prospera em tempos de crise nos Estados Unidos

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Desde que começou a pandemia de coronavírus, os sites jurídicos dos Estados Unidos publicavam seguidamente notícias sobre demissões nos escritórios de advocacia — ou de reduções de salários. Mas uma banca prosperou. Passou de 233 advogados, antes da pandemia, para 290 até o fim de fevereiro. Contratou, então, 57 advogados, 49 dos quais em 2020, todos vindos de grandes bancas. E todos felizes, porque estão ganhando mais do que antes.

A banca que realizou tal prodígio é a FisherBroyles, fundada por Kevin Broyles e James Fisher II, dois advogados que enfrentavam dificuldades até a crise de 2001, que se seguiu ao ataque às Torres Gêmeas de Nova York. Em 2002, Broyles ouviu o conselho de um conhecido, que deu origem a um novo modelo de negócios e à prosperidade da banca.

A banca também passou bem pela crise econômica de 2008, 2009. E durante a crise econômica causada pelo coronavírus, o problema deles era como contratar mais advogados rapidamente — não demitir. Mas, graças ao coronavírus, o modelo de negócios da FisherBroyles já não é mais uma grande novidade. Eles criaram um "escritório virtual", totalmente baseado na nuvem.

Na verdade, a FisherBroyles não emprega advogados. A banca contrata sócios, com uma proposta interessante para as duas partes: cada sócio fica com 80% dos honorários recebidos de cada cliente que ele trouxer para a banca e lhe prestar os serviços jurídicos contratados. A banca fica com 20%.

Em comparação, as grandes bancas dos EUA compensam seus sócios com uma comissão de 25% a 35% por clientes conquistados e serviços prestados. Em outras palavras, os sócios da FisherBroyles se dedicam com maior entusiasmo ao networking (ou formação de relacionamentos), porque sabem que a recompensa vale a pena.

A plataforma da banca garante transparência total, de forma que cada sócio tem acesso a todas as informações, bem como a todas as contas da contabilidade.

E, em tempos de crise, é mais fácil conquistar clientes se o modelo de negócios da banca facilita a vida de quem está lutando para sobreviver. Nessas horas, fica difícil para o cliente pagar os altos honorários dos advogados das grandes bancas. Já um escritório sem muitas despesas pode negociar honorários bem mais em conta para eles. Isto é, ela pode repassar uma parte significativa das economias de custos aos clientes agradecidos.

Desde que começou a se firmar como escritório virtual, a banca investiu em tecnologia. Por exemplo, quando se tornou indispensável para os operadores do Direito trabalhar por videoconferência, sob efeito do coronavírus, muitos tiveram dificuldades para se adaptar a essa nova forma de trabalhar. Mas, os advogados da FisherBroyles já eram “macacos velhos” no uso dessa ferramenta.

Quando o ex-presidente Donald Trump provocou o shutdown nos EUA, porque não conseguia a aprovação pelo Congresso de uma verba para construir seu muro na fronteira com o México, seguido do shotdown por causa do coronavírus, muitas bancas foram afetadas. A FisherBroyles foi uma das que não sofreram o impacto. Continuou trabalhando normalmente.

Em um podcast divulgado pelo Jornal da ABA (American Bar Association), Broyles declarou que a banca já está para ser incluída na Am Law 200, a lista das 200 bancas com maior receita bruta nos Estados Unidos. Em 2020, a receita bruta da banca foi de US$ 113 milhões – 15% maior do que a do ano anterior, que foi de US$ 98,2 milhões.

Apesar de a COVID-19 ter popularizado a ideia do trabalho remoto e do escritório virtual, Broyles não acredita que as grandes bancas vão promover grandes mudanças em seu modus operandi, porque já estão muito acostumadas ao sistema antigo de obter receitas e com sua estrutura tradicional. É uma vantagem para os escritórios com maior flexibilidade.




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 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 19 de março de 2021, 15h39

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