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Referência da arquitetura

Autoridades lamentam a morte de Paulo Mendes da Rocha

Morreu neste domingo (23/5), aos 92 anos, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha. Considerado um dos principais arquitetos brasileiros contemporâneos, ele assinou projetos ícones da cidade de São Paulo, como a Pinacoteca do Estado e o Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MubE).

O arquiteto Paulo Mendes da Rocha morreu aos 92 anos, neste domingo (23/5) em SP
Foto: André Seiti / Divulgação

Rocha venceu vários prêmios e recebeu outras tantas honrarias arquitetônicas, no mundo todo. Por exemplo, o Pritzker (conhecido como o "Nobel da arquitetura"), o Imperial do Japão e o Leão de Ouro da Bienal de Veneza.

Conhecido por integrar uma geração politizada de arquitetos que se filiaram à arquitetura moderna brasileira, Rocha considerava que seu ofício era sobretudo uma questão política. Crítico da especulação imobiliária, defendeu a valorização do "chão comum da cidade para o pedestre", em uma entrevista ao jornal O Globo. Também disse que, para a arquitetura, não há o "privado". "Se há espaço, é público".  

Em nota, o ministro do Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, lamentou a perda. O ministro lembrou a exitosa carreira do arquiteto e lembrou que o escritório de Rocha foi o responsável pelo projeto de expansão do Museu do STF, no edifício sede da Corte, durante a sua gestão na presidência do Supremo.

Além de Toffoli, outras autoridades também se manifestaram. "Nesses dias tristes, onde todos nós perdemos algum familiar ou amigo para a covid-19, o Brasil perde também Paulo Mendes da Rocha, um dos maiores arquitetos do país. Ele deixou um legado humanista muito além das suas criações em cidades do Brasil e do mundo", escreveu o ex-presidente Lula.

O governador de São Paulo, João Doria, também manifestou pesar. "O Brasil está triste com a perda de Paulo Mendes da Rocha, um dos maiores nomes da nossa arquitetura de todos os tempos. Minha solidariedade aos familiares e amigos", afirmou.

O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, assinou nota de pesar em que lembra que o arquiteto "fazia da arquitetura instrumento de liberdade, tanto que chegou a ser cassado pelo regime militar".

Leia abaixo a nota do ministro Dias Toffoli:

É com muita tristeza que recebi a notícia do falecimento do arquiteto Paulo Mendes da Rocha. Aos 92 anos, o maior arquiteto brasileiro da atualidade adquiriu posição de destaque no panorama internacional. Ganhou o Prêmio Pritzker (considerado o maior prêmio da arquitetura mundial), o Leão de Ouro do Festival de Veneza e o Prêmio Imperial do Japão.

Em 2019, tivemos a grande honra, na presidência do Supremo Tribunal Federal, de contratar o escritório de Paulo Mendes da Rocha para a elaboração do projeto arquitetônico de expansão do Museu do STF, no Edifício Sede da Corte. O projeto modernista envolve a reformulação dos espaços no subsolo do prédio e a construção de espaço de convivência e integração total do Museu com a Praça dos Três Poderes.

A primeira etapa do projeto, onde serão instaladas as partes expositivas do museu, foi recém-finalizada neste mês de abril. Infelizmente e com grande pesar, não teremos a presença física do arquiteto na inauguração de um dos seus últimos grandes projetos. Mas a memória de Paulo Mendes da Rocha e seus grandes feitos se tornarão eternos na história e na arquitetura do prédio símbolo do STF. Nossa profunda solidariedade aos familiares, à equipe e aos amigos do grande arquiteto.

Ministro Dias Toffoli

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil também divulgou uma nota de pesar. Leia abaixo: 

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil manifesta imenso pesar pelo falecimento do arquiteto e urbanista Paulo Mendes da Rocha, um dos mais destacados e premiados nomes internacionais da profissão nas últimas décadas. Deixa um legado de obras-primas resultado de uma prática profissional marcada pela ousadia e apuro tecnológico.   Paulo Mendes da Rocha foi um educador generoso, não apenas como professor, mas também na convivência diária com os colegas com quem trabalhou em projetos e em obras. Expressamos nossos sentimentos aos familiares, aos amigos, aos colegas e à sociedade brasileira como um todo, que perdeu um humanista que expressava com vigor o compromisso social da Arquitetura e Urbanismo. Nadia Somekh, Presidente do CAU Brasil.




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Revista Consultor Jurídico, 23 de maio de 2021, 17h19

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