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Ouvi dizer

Ex-secretário do Rio de Janeiro desmente delação de Sérgio Cabral

Hudson Braga, ex-secretário de Obras do Rio de Janeiro, rechaçou nesta quinta-feira (13/5) as acusações do ex-governador Sérgio Cabral contra o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Cabral havia dito que o ministro, no Tribunal Superior Eleitoral, havia favorecido indevidamente dois prefeitos fluminenses.

O ministro Dias Toffoli, do STF
Fellipe Sampaio/STF

Frustradas as tentativas do ex-governador, de firmar acordo com o Ministério Público Federal — pela falta de elementos de corroboração para as imputações — Cabral recorreu à Polícia Federal. Junto com o fiasco da delação de Antonio Palocci, também feita com a PF, o caso atual alimentou a corrente favorável à vedação de acordos de delação com a polícia. "Uma boa ideia na teoria, mostrou-se ruim na prática", afirmou um advogado decepcionado com os resultados apresentados.

O delegado Bernardo Guidali Amaral, da Polícia Federal, pediu ao Supremo, conforme reportagem da Folha de S.Paulo, a abertura de um inquérito para investigar o ministro. 

Raquel Dodge, ex-procuradora-geral da República, já havia arquivado os trechos da colaboração de Cabral que citam Toffoli, considerando a falta de elementos contra o ministro. O atual PGR, Augusto Aras, também deve se manifestar em breve. 

Um dos principais aliados do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, o delegado da PF já pediu, em 2014, a prisão temporária da ex-presidente Dilma Rousseff, do ex-ministro Guido Mantega e do senador Eunício Oliveira (MDB-CE), então presidente do Senado. Os três teriam cometido crimes cinco anos antes, nos idos de 2009.

O próprio Ministério Público teve que desautorizar Amaral dizendo o óbvio: não é possível decretar temporária, sob o pretexto de que os políticos poderiam atrapalhar as investigações, com base em supostos fatos cometidos havia cinco anos.

Para o advogado de Hudson Braga, Roberto Pagliuso, seu cliente "nunca operacionalizou nada". "Ele nunca sequer soube de qualquer situação que envolvesse o ministro Toffoli."

Segundo ele, o prefeito de Volta Redonda, Antônio Francisco Neto, que teria sido favorecido no TSE com a ajuda de Hudson, jamais falou sobre qualquer processo com o ex-secretário. "Nem ele nem o Cabral", diz o advogado.

Hudson Braga também foi secretário de Volta Redonda no primeiro mandato de Francisco Neto e é apontado como aliado político do prefeito.

Pagliuso afirma que Cabral, que cumpre pena de mais de 300 anos, "tenta, depois de condenado, criar situações para viabilizar a sua colaboração". "Mas ele não tem qualquer apreço pela verdade. Nem produz qualquer prova de suas alegações."

Leia abaixo a íntegra da nota da defesa de Hudson Braga:

Em razão das notícias de que o ex-governador e atual delator Sérgio Cabral envolveu o nome de Hudson Braga —, afirmando que ele teria operacionalizado nos anos de 2014 e 2015 pagamentos ao ministro Dias Toffoli para beneficiar o ex-prefeito de Volta Redonda, em julgamento no TSE —, esclarecemos que jamais chegou sequer ao conhecimento de Hudson Braga o oferecimento de qualquer vantagem para o ministro Dias Toffoli, ou a outra pessoa que o representasse.

Sérgio Cabral tenta se safar de suas responsabilidades, alterando suas estratégias. Ora negou os fatos, ora adotou manobras processuais e depois de ver a consolidação de suas penas, resolveu, por desespero, criar fatos para viabilizar sua colaboração premiada. Nunca teve qualquer apreço pela verdade, nunca produziu qualquer prova de suas alegações mentirosas. "Sigo acreditando na Justiça e não compactuo com esse tipo de conduta", afirma Hudson Braga.

Roberto Pagliuso, advogado de Hudson Braga




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Revista Consultor Jurídico, 13 de maio de 2021, 14h42

Comentários de leitores

7 comentários

Delação à la carte?

Artur lei é p todos (Advogado Autônomo - Administrativa)

Por princípio, sou a favor de qualquer investigação, contra qualquer pessoa, que seja feita por servidor público competente, justo e imparcial.
O grande problema é que a partir de 2014, uma boa parte das colaborações premiadas, feitas no âmbito da operação lava jato, era induzida e até chantageada, por alguns membros do MPF de Curitiba, como forma de obter narrativa de acordo com seus interesses pessoais, políticos e partidários.
Por tudo isso, não é nenhum exagero desconfiar que algumas dessas colaborações, estejam sendo usadas para espetacularizar.

É fato

Marly Pigaiani Leite (Assessor Técnico)

Excelente sua explanação, disse tudo, parabéns!

Não

Afonso de Souza (Outros)

Não convenceu.

E as delações, daí a necessidade de ampliar as investigações, devem ser corroboradas com mais evidências.

Quem não deve não teme.

Ouviu dizer

Bruno Castellar (Advogado Autônomo - Administrativa)

A polícia e Ministério Público conseguem encarcerar muitas pessoas no " ouvi dizer ", principalmente aquelas prisões preventivas "ad aeternum ". As cadeias estão lotadas de presos cautelares com base em "ouvir dizer", mas geralmente pobres e peixes pequenos.
Será que vai colar esse mesmo subterfúgio jurídico de recebimento de denúncia com base em indícios de "ouvir dizer" contra um Ministro da Suprema Corte?
De certa forma foi bom isso acontecer para reverem o recebimento dessas denúncias se nenhuma base. Principalmente quando a água começa a bater na bunda dos poderosos, daqui a pouco veremos um Ministro do supremo preso cautelarmente com base em " ouvir dizer ".

Nota defesa sergio cabral

MDelambert (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)

NOTA DEFESA SÉRGIO CABRAL

O Acordo de colaboração premiada do ex-Governador Sérgio Cabral foi homologado pelo STF por estar pautado rigorosamente dentro da legalidade.
Em outras palavras, foram apresentados relatos consistentes sobre vários assuntos, com apresentação de provas e elementos de corroboração devidamente confirmados.
Surpreende a resistência daquilo que seria óbvio, abrir uma investigação criminal diante da oceânica quantidade de elementos que precisam ser apurados.
Como colaborador o ex-governador narrou com riqueza de detalhes e extrema simplicidade os assuntos que participou, gravados espontaneamente em vídeo, tudo conforme determina a lei. As afirmações cegas de que não há provas e de que se trata de um “ ouvir dizer” só confirma o desconhecimento das informações acima da média que repousam silenciosamente nos autos.

MÁRCIO DELAMBERT

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