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Golpezão do zap

Operadora e rede social são condenadas a indenizar vítima de clonagem

Tanto operadora de telefonia quanto plataforma de rede social utilizadas em caso de clonagem de dados e falsidade ideológica são suscetíveis a pagar indenização por dano moral. A base da condenação é a responsabilidade objetiva, já que a brecha no sistema de segurança configura falha na prestação do serviço. Assim, a juíza Liege Gueldini de Moraes, do Juizado Especial Cível de Jandira (SP), decidiu a favor de cliente que teve sua antiga linha disponibilizada para um terceiro.

Terceiro clonou conta de WhatsApp para explorar financeiramente os contatos
Reprodução

Esse terceiro teve acesso à lista de contatos do autor e a utilizou para aplicar golpes e fraudes, passando-se pelo homem no WhatsApp.  

Atuaram no caso os advogados Renato Pires de Campos Sormani e Marília Mayumi Miyamoto, do escritório Terras Gonçalves Advogados. A juíza compreendeu que a relação jurídica entre as partes da ação se enquadra nos termos do artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor, que justamente aponta responsabilidade das reclamadas devido a defeito do serviço.

Mesmo que a operadora não controle o conteúdo emitido pelo farsante, ela pode ser responsabilizada devido a seu dever de garantir que o dono do contato seja realmente o titular da linha. Já o WhatsApp tem falha revelada ao possibilitar "clonagem" de conta cadastrada com utilização do número do titular.

A juíza entendeu como configurado o dever de indenizar, frisando o constrangimento do autor perante as ofensas e aos pedidos de empréstimo proferidos pelo indivíduo que se fez passar por ele. A ação foi julgada parcialmente procedente e as rés foram condenadas ao pagamento de R$ 5 mil.

Clique aqui para ler a decisão
1000267-96.2021.8.26.0299




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Revista Consultor Jurídico, 5 de maio de 2021, 19h56

Comentários de leitores

2 comentários

Quantum

VINICIUS (Advogado Autônomo - Civil)

Esses valores (óbolo), que vem sendo aplicado a títulos de danos morais, nunca serão capazes de dar ao ofendido um "consolo".
A indenização deve ser fixada em valores altos, para que o Ofensor sinta realmente no bolso,
e com isso evite a repetir tais condutas.

Absolutamente certo

Lauro Soares de Souza Neto, advogado em Marília-SP (Advogado Autônomo - Criminal)

Fossem as indenizações mais substanciosas, atingiriam elas a finalidade maior da condenação: evitar casos futuros. Mas assim não é. Ao invés de desestimular os erros dos fornecedores, ridicularizam as indenizações, fazendo que não compense o acionamento do infrator das normas consumeristas. As exceções ocorrem apenas quando os consumidores são de alto calibre social. Fazer o quê......?

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