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Negócios do futuro: startups e boas práticas de ESG

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Com o consumidor cada vez mais atento, uma grande disponibilidade de investimentos e as constantes transformações no mercado, as startups — organizações empresariais ou societárias com atuação na inovação aplicada a modelo de negócios ou a produtos e serviços — estão cada vez mais integrando o ESG (Environmental, social and corporate governance) aos seus negócios. 

Atualmente, muitas delas são promotoras de um mercado sustentável, tendo em vista seu potencial para desenvolver produtos alinhados aos preceitos ESG, bem como atrair investimentos que exigem comprometimento a esses parâmetros.

No relatório "Inovação e ESG", desenvolvido pela consultoria ACE Cortex, foram identificadas 343 startups com soluções relacionadas ao ESG no Brasil, sendo que 180 atuam no setor ambiental, 130 com negócios de impacto social e 33 com soluções de governança.

Meio ambiente
Apesar da esfera ambiental ser uma das que menos receberam investimentos no âmbito ESG (apenas 18 milhões de dólares), é uma das mais discutidas, principalmente pela relevância da atuação empresarial no meio ambiente e pela mudança de hábitos de quase metade dos consumidores conscientes brasileiros, conforme levantado pela empresa de informação Nielsen Company.

Os princípios ESG se mostram mais rígidos às empresas tradicionais, sendo o papel das startups "environmental-friendly" essencial para incentivar a mudança do mercado, já que seu crescimento é rápido e pode proporcionar a venda em grande escala de seus produtos. 

Os investimentos em startups do setor do agronegócio, por exemplo, pendem a uma cultura mais sustentável, pois buscam soluções que diminuam os malefícios ambientais que a indústria pode causar. Essa atuação se dá especialmente no desenvolvimento de equipamentos inteligentes e hardwares na agricultura de precisão, assim como cadeias de produção alternativas, ocupando espaço protagonista no lucro dessas startups. A tecnologia vem sendo utilizada, por exemplo, para rastreio das cadeias de produção a fim de garantir a procedência dos alimentos consumidos e o cumprimento das normas sanitárias da região. 

Outro exemplo são startups que procuram utilizar a tecnologia para formas alternativas de cultivo: uma fazenda interna e vertical, cultivada por luzes artificiais. 

Essas inovações têm um importante papel para o meio ambiente, no uso adequado das máquinas; nos estudos do local de atuação; nas avaliações dos riscos, no gasto de energia, dentre outros. Além da sua responsabilidade de não gerar efeitos colaterais semelhantes aos que pretendem mitigar. 

Social
As startups que atuam com propósitos sociais buscam proporcionar meios de mudança na sociedade, melhorando o ambiente social em que atuam e vivem seus consumidores e beneficiários. 

Isso ocorre, por exemplo, por meio de startups que direcionam uma porcentagem do valor da compra efetuada pelo consumidor de uma empresa a uma instituição social a ela cadastrada. Uma ferramenta pela qual o consumidor pode transformar a sua preocupação com o rumo da sociedade, por meio de suas atividades do dia a dia, impactando positivamente em questões sociais.

Ademais, nas startups com atuação voltada ao impacto social identificadas no "Inovação e ESG", 38% são edutechs, healthtechs e startups de cibersegurança. As empresas de cibersegurança também participam do total de startups com impacto social e atuam especialmente com proteção de dados e privacidade.

Conforme apresentado no estudo "Inside ESG Tech Report", de maio de 2021, elaborado pela plataforma Distrito, a categoria social recebeu mais de 68% de todo volume investido até hoje em ESG Techs, totalizando mais de 480 milhões de dólares levantados. 

Além das startups de impacto social, é imprescindível que as demais também se adequem nesse sentido, independentemente da área de atuação, já que a responsabilidade social é ser um caminho inicial para aplicação da ESG.

Governança 
Dentre as startups que atuam no ramo da governança, segundo o relatório "ESG e Inovação", de um total de 343, 10% atuam nesse segmento. A governança corporativa pode se dar por meio de soluções em prol da gestão e transparência, combate a corrupção, análise de impacto e capital humano — este é atualmente o investimento mais representativo, ocupando quase 30% dessas soluções.

Com valor de 205,7 milhões de dólares investidos, a categoria de governança ocupa o segundo lugar dentre os critérios ESG que mais vêm recebendo aplicações, demonstrando que a atuação das empresas com esse foco pode atrair atenção de investidores.

Investimentos
Diversas são as fontes de investimento voltadas às startups relacionadas ao ESG, como: 1) linhas de financiamento de Bancos de Desenvolvimento Internacionais e Nacionais; 2) Fundos de Investimento; 3) Programas de Aceleradoras; e, 4) Investidores Anjos. Conforme o estudo, "Inside ESG Tech Report", as startups com soluções para essas temáticas receberam 991 milhões de dólares em investimentos desde 2011.

Uma forma de exemplificar essa atuação se dá pela atuação da Black Rock, maior gestora de ativos do mundo, com uma carteira de mais de 6 trilhões de dólares, que passou a incluir critérios ESG em todas as análises de riscos da empresa, demonstrando que a adoção desses critérios está incorporada nas atividades das gestoras e bancos, principalmente pelo fato de esse tipo de investimento ter grande potencial de estimular e direcionar recursos para avanços sustentáveis. 

Diante do exposto, a adoção dos critérios ESG pelas startups em seus negócios já é um diferencial competitivo, especialmente quando as práticas e ferramentas adotadas vão além do que exige a legislação. Uma empresa comprometida com os parâmetros ESG fortalece as condições que contribuem para a qualidade de vida da sociedade, para a preservação do meio ambiente e atuação corporativa comprometida, propiciando a geração de negócios com propósito e um mundo-casa mais seguro para as próximas gerações.




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Leticia Menegaço de Camargo é advogada da Correa de Castro.

Livia Feitosa Dantas é estagiária na Advocacia Correia de Castro & Associados.

Revista Consultor Jurídico, 20 de junho de 2021, 10h09

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