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Até no Panamá

Audiência preliminar da "lava jato" no Panamá é suspensa até 2022

A audiência preliminar de 42 pessoas acusadas de suposta prática de lavagem de dinheiro na "lava jato" do Panamá, que deveria ocorrer nesta terça-feira (1º/6), foi suspensa minutos após seu início. As informações são do site local TeleMetro. A investigação busca esclarecer se o escritório de advocacia Mossack Fonseca cometeu crime de lavagem de capitais.

A audiência foi suspensa devido ao não comparecimento dos advogados de defesa, conforme informou a procuradora Isis Soto. Agora, a audiência terá que ser remarcada, para uma data entre 20 de março e 7 de abril de 2022. Serão intimadas 33 pessoas imputadas por lavagem de dinheiro, segundo a procuradora.

Mais cedo, por volta das 7h da manhã, um caminhão do Poder Judiciário chegou às instalações do Teatro Balboa (onde ocorreria a audiência) para descarregar um grande número de documentos e pastas do caso, cujo processo conta com 275 volumes.

Entre os acusados da "lava jato" no Panamá estão Jürgen Mossack e Ramón Fonseca Mora, do extinto escritório de advocacia Mossack Fonseca. A investigação busca descobrir se, através da criação de sociedades anônimas pela firma de advogados, ocorria lavagem de capitais.

"Nós éramos uma firma de advogados como qualquer outra do Panamá, exercendo o direito sem cometer nenhuma ilegalidade. Acabaram com a gente para destruir o sistema bancário e de serviços panamenho... queremos provar neste julgamento que vender sociedades anônimas não é um  crime, é algo feito todos os dias e em todo o mundo", disse Ramón Fonseca ao chegar no Teatro Balboa.

De sua parte Jürgen Mossack afirmou que espera que o processo siga a lei, "como deve ser". Guilhermina Mcdonald, advogada de Mossack Fonseca, declarou que espera que o juiz escute os argumentos e as provas que serão apresentadas.

"Nossa tese é que não foi cometida lavagem de dinheiro, nenhuma das fases de lavagem de capitais está presente, de acordo com as fases instituídas pelo GAFI (Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro e o Financiamento do Terrorismo)", sustenta Mcdonald.

A audiência do caso Lava Jato estava prevista, incialmente, para começar em 6 de janeiro de 2021, mas não pode ocorrer devido a suspensão dos prazos judiciais decretada no Panamá, como parte das medidas da quarentena contra a Covid-19.




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Revista Consultor Jurídico, 1 de junho de 2021, 18h29

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