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Luto no Itamaraty

Embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima, 88, é sepultado em Belo Horizonte

O embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima, morreu nesta segunda-feira (12/7), em Brasília, aos 88 anos, em decorrência de complicações de uma infecção urinária. Na manhã desta terça-feira (13/7), o Itamaraty fez uma cerimônia restrita com a participação do ministro das Relações Exteriores, Carlos França. O corpo do embaixador será sepultado ainda hoje em Belo Horizonte, no jazigo da família.

Morreu ontem o embaixador Paulo Tarso
Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores manifestou seu pesar em uma nota que relembrou a dedicação de Paulo Tarso à sua carreira: "dedicou-se ao ideal de que a política externa pode e deve contribuir para melhorar concretamente a inserção internacional do país e a vida de todos os brasileiros. Sua coragem e criatividade marcaram todos que tiveram a oportunidade de trabalhar a seu lado".

Flecha de Lima ingressou no Itamaraty em 1955 e, ao longo das décadas seguintes, defendeu os interesses do Brasil com "determinação, patriotismo e profissionalismo", afirmou o Itamaraty. "Dedicou grande parte de sua vida ao projeto de modernização da diplomacia econômica e comercial do Brasil."

Foi nomeado chefe do Departamento de Promoção Comercial em 1973, cargo que ocupou por mais de uma década e no qual "liderou profunda transformação das atividades de promoção comercial do Brasil no exterior". Em 1984, foi nomeado Subsecretário-Geral de Assuntos Econômicos e Comerciais.

Em 1985, alcançou o mais alto posto de carreira da diplomacia, tornando-se Secretário-Geral das Relações Exteriores, tendo desempenhado "papel fundamental na inserção internacional do Brasil na fase final da Guerra Fria". Foi embaixador em Londres (1990-1993), Washington (1993-1999) e Roma (1999-2001).

Durante o período que esteve em Londres, Paulo Tarso teve que negociar a retirada de cerca de 450 trabalhadores brasileiros que foram feitos de escudo por Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo.

Em 2001, Paulo Tarso se aposentou, após 46 anos de diplomacia. Ele foi casado, por 54 anos, com Lúcia Flecha de Lima. A também embaixatriz morreu em 2017. O casal teve cinco filhos e fizeram amizades com figuras ilustres do cenário político mundial, como o casal Bill Clinton e Hillary Clinton e a princesa Diana.

O ex-presidente José Sarney, que nomeou Paulo Tarso como secretário-geral do Ministérios das Relações exteriores, lamentou a morte daquele que considera "um dos maiores diplomatas da história do Itamaraty". 

Leia a nota do ex-presidente:

"Foi com imensa tristeza e profunda emoção que recebi a notícia do falecimento de Paulo Tarso Flecha de Lima, meu querido amigo e um dos maiores diplomatas da história do Itamaraty. Há poucos dias havíamos nos falado ao telefone e combináramos que lhe faríamos, Marly e eu, uma visita. Não houve tempo.
Paulo Tarso foi expoente de uma geração que modernizou a diplomacia brasileira. Acompanhei sua carreira brilhante e tive a oportunidade de tê-lo ao meu lado como Secretário-Geral do Ministério das Relações Exteriores durante todo o meu governo. Quem o escolheu para o cargo foi Tancredo Neves. Foi com satisfação que pude confirmar um amigo de total confiança para comandar o grande quadro de diplomatas que viabilizou a aproximação com a Argentina e o Uruguai para formarmos a base do Mercosul e a abertura da política externa a novos parceiros, de Cuba e da América Latina, de Moscou a Pequim, passando pela África e negociando com firmeza com nossos tradicionais parceiros europeus e com os Estados Unidos, inclusive na questão do clima, pavimentando o caminho para a Rio 92.
Em Londres, Washington, Roma, Paulo Tarso — tendo ao seu lado Lúcia, extraordinária companheira — mostrou toda a sua habilidade como representante do Brasil, elevando a nossa interlocução a níveis excepcionais, a par dos nossos maiores nomes, como, em Washington, Joaquim Nabuco. Num momento crítico soube usar sua capacidade de interlocução para libertar os brasileiros reféns no Iraque.
Paulo Tarso era um homem de brilhante formação, com grande cultura, dominando perfeitamente todos os instrumentos de um grande intelectual. A Academia Mineira de Letras o tinha como um dos seus grandes nomes. Seu texto reflete sua inteligência aguda, sendo sempre estilisticamente impecável e profundo em sua análise e interpretação do mundo.
Seus filhos e sua família sabem que acompanhamos, Marly e eu, com o coração ferido, sua dor e sua tristeza. Quero manifestar minha solidariedade a suas Casas, o Itamaraty e a Academia Mineira de Letras, e a Minas Gerais, a que ele honrou com o seu nome, inscrito para sempre entre os seus maiores nomes."




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Revista Consultor Jurídico, 13 de julho de 2021, 14h52

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