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Advogada dos Estados Unidos oferece divórcio de graça no Dia dos Namorados

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A advogada Margaret Janes Powers, da The Powers Law Firm, em Crossville, no Estado de Tennessee, Estados Unidos, anunciou no Facebook a oferta de divórcio de graça para um cliente no Dia dos Namorados (Valentine's Day, que nos EUA é comemorado no dia 14 de fevereiro). Ela diz, em um comunicado, que "pegou a ideia emprestada" de um colega de Murfreesboro, também no Tennessee. Uma pesquisa no Google revelou que se trata do advogado W. Scott Kimberly, que vem fazendo a mesma coisa há três anos, com sucesso.

Casais americanos vão ter a chance de se separar de graça no Dia dos Namorados

Ambos apresentam a mesma justificativa: o Dia dos Namorados existe para celebrar o amor. Porém, para muita gente, ele só serve para lembrar que o amor acabou e que agora se encontram aprisionados em um casamento, mas não conseguem dissolvê-lo por problemas financeiros, porque um dos cônjuges não quer o divórcio ou por alguma outra razão.

Os advogados podem resolver o problema em parte, se o caso for de problema financeiro ou, quem sabe, por algum outro motivo. Se a questão for a recusa de um dos cônjuges, é mais complicado, porque essa situação não cumpre uma das condições do que será uma competição pelo serviço gratuito. Isto é, muitos casais serão chamados, mas só um será escolhido.

As condições para concorrer à oferta são as seguintes:

— O divórcio tem de ser consensual;

— O interessado precisa escrever uma história (e enviá-la ao escritório) explicando por que quer se divorciar (a melhor história será a premiada com o divórcio grátis);

— As inscrições podem ser feitas a partir de 15 de fevereiro e a seleção da melhor história será feita no dia 19;

— As inscrições devem incluir número de telefone e endereço de e-mail para o escritório contatar o vencedor.

O escritório se reserva o direito de escolher o ganhador e propõe um divórcio consensual, sem contestação, com questões mínimas ou nenhuma de guarda do(s) filho(s). Ao se inscrever na competição, os participantes concordam com esses termos e condições.

A advogada Margaret Powers diz que não cobrará do vencedor honorários por seus serviços, nem taxas judiciárias. No entanto, se o divórcio envolver filhos menores, o vencedor deverá pagar pela aula de educação dos pais.

O advogado W. Scott Kimberly, que aceita inscrições antes do Dia dos Namorados, também promete serviços jurídicos gratuitos, mas adverte que o vencedor deverá pagar taxas judiciárias e despesas processuais.

Quais podem ser as vantagens desse concurso para os advogados? Primeiramente, seus promotores ganham indicações voluntárias de possíveis clientes, com nome, número de telefone e endereço de e-mail.

Ou seja, os advogados criam uma lista de pessoas ansiosas para se divorciar, que podem ser contatadas por telefone ou receber material de marketing direto com outras ofertas, que também poderão ser atraentes, porque certamente oferecerão alguma solução.

É um público-alvo bem definido, em uma área, como a do Direito de Família, em que é difícil estabelecer um público-alvo tão dirigido, porque todos os cidadãos casados do Tennessee podem, a qualquer tempo, ser incluídos em uma lista.

Por mais que advogados tentem criar nichos, como o de especialização em "divórcio", e subnichos, como "divórcio para homens", é difícil organizar uma lista de pessoas realmente interessadas em seus serviços. A promoção cria uma chance de o advogado atuar proativamente na conquista de clientes, em vez de apenas esperar que alguém o recomende a alguém.

Em segundo lugar, os advogados ganharam publicidade gratuita. As iniciativas foram repercutidas por jornais, como o Daily News Journal, e emissoras de televisão, como a rede local da ABC em Tennessee, entre outros veículos.

Se a área é difícil para fazer marketing dirigido, alguns advogados se tornam inventivos. Esse também foi o caso do advogado Lee Rosen, que vai a lava-rápidos todos os sábados, sempre em bairros sofisticados, para passar um bom tempo na sala de espera, junto com pessoas aparentemente ricas.

Sua tática preferida é contar histórias de adultério — sempre relacionadas a outras pessoas, nunca as de clientes de seu escritório de advocacia, que preza o sigilo. De uma maneira geral, as pessoas não resistem a uma boa história de traição, ele diz.

E, às vezes, acontece de algum dos ouvintes estar querendo se divorciar, ou conhecer alguém que vai precisar de um advogado para isso. Também por "coincidência", ele sempre tem cartões de visita na carteira.




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 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 17 de janeiro de 2021, 14h13

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