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Piadas por WhatsApp

Advogado defensor de direitos humanos é preso no Pará

José Vargas Sobrinho Junior é conhecido por sua atuação em defesa de sem-terra e povos indígenas no sul do Pará
Reprodução/Facebook

Entidades ligadas aos direitos humanos e à defesa dos povos indígenas divulgaram manifesto contra a prisão do advogado José Vargas Sobrinho Junior.

O advogado está preso desde o dia 1ª de janeiro na cidade de Redenção (PA), sob a acusação de ter envolvimento no desaparecimento do ex-candidato a vereador Cícero José Rodrigues de Souza.

"O que a polícia tem contra ele é extremamente frágil, são piadas que ele enviou por áudio a um amigo", diz o seu advogado Marcelo Mendanha, em entrevista à agência Repórter Brasil.

A polícia apreendeu o celular e o computador do advogado, que se negou a fornecer as senhas dos equipamentos. Ele alega que compartilhar o conteúdo dos aparelhos iria permitir que os policiais tivessem acesso a denúncias contra a própria corporação feitas por sem-terra e indígenas.

No último dia 4 deste mês, a Justiça negou HC impetrado pela OAB. No pedido liminar, a ordem alega que a prisão do advogado foi baseada em "premissas hipotéticas, sem comprovação nos autos".

José Vargas Sobrinho Junior tem histórico de defesa dos Direitos Humanos no Sul do Pará e se notabilizou por sua atuação no caso da chacina de Pau D'Arco, ocorrida em 2017. Na ocasião, dez trabalhadores sem-terra foram executados por policiais civis e militares.

Ele recebeu o prêmio João Canuto em 2017, concedido pelo Movimento Humanos Direitos (MHuD), e a medalha Paulo Frota, em 2018, outorgada pela Assembleia Legislativa do Pará.

Veja a lista de entidades que assinaram o manifesto contra a prisão:

Acampamento Jane Júlia - Pau D'Arco
Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (APIB)
Articulação Comboniana de Direitos Humanos
Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia (AATR)
Brigadas Populares
Campanha Nacional em Defesa do Cerrado
Centro de Apoio aos Direitos Humanos Valdício Barbosa dos Santos
Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis
Centro de Defesa dos Direitos Humanos Dom Thomas Balduino
Coletivo Margarida Alves de Assessoria Popular
Conselho Indigenista Missionário (Cimi)
Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ)
Front Line Defenders
Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJR)
Justiça Global
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH)
Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM)
Movimento Terra Livre
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)
ONG Criola
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Redenção/PA
Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (RENAP)
Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo (Sindipetro) PA/AM/MA/AP
Sociedade Maranhense de Direitos Humanos
Terra de Direitos
Tuxa Ta Pame - Conselho de Gestão Ka'apor
VIVAT International - Brasil




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Revista Consultor Jurídico, 11 de janeiro de 2021, 21h34

Comentários de leitores

20 comentários

Todos erram

Pu1gtm (Funcionário público)

O único que não comete erros é CRISTO, não estou a favor do réu, más não vou rasgar seda para magistrado o colocando como inerrante,se juízes não errassem não existiriam muitos presos inocentes só porquê a PC quis mostrar serviço,todos cometem erros e principalmente os juízes e ministros, ninguém é jurídicamente perfeito.

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Provas

francar (Advogado Assalariado - Comercial)

É muito pouco provável que um Magistrado fosse decretar uma prisão, baseado apenas em "provas" inconsistentes. Ao decretar uma prisão, o Juiz no primeiro plano, verifica indícios seguros dos fatos e a respectiva prova que o leva a decretar a custódia do denunciado. Se está preso, as provas são robustas no bojo dos autos.

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Justiça Cega?

Marly Pigaiani Leite (Assessor Técnico)

Houve juízes que venderam sentenças. Por que não haverá juízes que não se pautam por imparcialidade, neutralidade, apartidarismo e etc?

Prisão legal

Elaine Cristina Dantas Bastos (Outros - Civil)

Até parece que um juiz com cinco anos de faculdade, deve ter vários cursos, deve ter estudado na escola de magistratura, fundamentar uma prisão em piadas, com certezas as provas devem ser bem robustas para tal fato, assinatura com abaixo assinado não prova nada, muito menos caráter.

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