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Apólice sem indicação

Herdeiro recebe seguro de vida mesmo sem previsão contratual, diz STJ

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Se a apólice do seguro de vida não indica beneficiários para a indenização, é perfeitamente cabível que os herdeiros do segurado recebam metade do valor pago, mesmo que não exista previsão contratual para tanto.

É perfeitamente cabível o deferimento ao herdeiro do segurado ainda que não exista previsão contratual, disse ministro Paulo de Tarso Sanseverino
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Com esse entendimento, a 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial ajuizado por um filho de pai falecido que pleiteava receber parte dos valores do seguro de vida.

No caso, o contrato não indicava beneficiários e continha cláusula indicando que, na ausência dessa indicação, o prêmio será pago ao cônjuge do segurado.

Relator, o ministro Paulo de Tarso Sanseverino aplicou ao caso o artigo 972 do Código Civil, segundo o qual, na falta de indicação da pessoa ou beneficiário, o capital segurado será pago por metade ao cônjuge não separado judicialmente, e o restante aos herdeiros do segurado, obedecida a ordem da vocação hereditária.

Esse entendimento á pacífico no colegiado e já gerou interpretação extensiva para admitir a divisão do prêmio do seguro entre cônjuge separada de fato e companheira em união estável.

Isso porque o segurado, ao contratar o seguro de vida, geralmente busca amparar a própria família, os parentes ou as pessoas que lhe são mais queridas, de modo a não deixá-los desprotegidos economicamente.

“Na ausência de indicação na apólice, transportando o entendimento firmando no referido julgado para os autos, verifica-se que é perfeitamente cabível o deferimento ao herdeiro do segurado ainda que não exista previsão contratual”, concluiu o ministro Paulo de Tarso Sanseverino.

REsp 1.767.972




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 é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 4 de janeiro de 2021, 8h47

Comentários de leitores

2 comentários

Julgamento do stj

O ESCUDEIRO JURÍDICO (Cartorário)

O julgamento do STJ concedendo ao herdeiro seguro deixado pelo "de cujus (de quem se fala) não desrespeitou a ordem jurídica, porque constituindo patrimônio, este tem por beneficiários, justamente, os próprios herdeiros.

Citação equivocada do art.

O retorno (Outros)

Nesse caso me parece que o artigo correto do Código Civil para essa situação seria o 792. O art. 972 do CC citado na reportagem trata sobre os legitimados para exercer atividade de empresário.

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