Consultor Jurídico

Desrespeito e deboche

MPF ocultou doença neurodegenerativa de delator da Odebrecht, mostra diálogo

Procuradores de Curitiba sabiam que um dos mais importantes delatores da Odebrecht era portador de síndrome de Alzheimer, grave doença neurodegenerativa que causa perda de funções cognitivas e até a demência, mas decidiram ocultar a informação nos autos.

Mal de Alzheimer é doença que causa perda de funções cognitivas e até demência
Shutterstock.com

É o que indicam os novos diálogos enviados ao Supremo Tribunal Federal pela defesa do ex-presidente Lula nesta segunda-feira (22/2). As mensagens entre procuradores foram apreendidas pela Polícia Federal.

A ConJur manteve eventuais erros de digitação e ortografia presentes nas mensagens. Nas mensagens, o nome do colaborador é substituído pela palavra FULANO, justamente em razão da referência à doença.

Para a defesa de Lula, a informação é relevante para verificar a credibilidade desses depoimentos e e até a capacidade civil para que fosse firmado um acordo de colaboração premiada. "É espantoso, mas a informação também foi ocultada pela 'lava jato'", diz a petição, enviada ao STF.

A troca de mensagens indica que em 1º de dezembro de 2016 o grupo de procuradores recebeu do médico escolhido a informação de que o delator efetivamente sofria do mal de Alzheimer. A maneira como eles se referem ao caso traz requintes de desumanidade.

Leia o diálogo

14:02:09 Já consegui o neuro lá em sampa para indicarmos pro FULANO se consultar . Lá do Einstein. competente e isento. Agora vamos ver se o velhinho tem alzemeir mesmo.r.s
14:02:38 Julio Noronha Boooa!!
14:14:40 Kkkkk
14:33:33 Roberson MPF Carol vai trazer um novo FULANO
14:41:08 Carol PGR Algo me diz que o médico dirá que ele ainda vai ter sanidade por muitos anos
14:42:09 Laura Tessler se o médico for bom, poderíamos até recomendar que outros colaboradores se consultem com ele, pra ver se refrescam a memória, rs
14:42:36 E aí?
14:42:53 O [emoji] atrapalhou?
20:08:31 Sergio Bruno Mpdft NewFULANO Reloaded!

25 NOV 16
20:19:18 Pessoal, [SUPRIMIDO] já foi consultado lá em Sampa
20:29:30 Eu posso ir lá conferir
20:51:06 Carol PGR Kkkk
20:51:24 O médico ficou de entregar o relatório na prox semana
20:52:20 Quem é? Eu vou lá acelerar! Kkkk
20:52:55 Julio Noronha Se o diagnóstico sair igual ao q apresentaram pq, em 2010, o cara esquecia uns nomes, vamos ter marcar consulta pra mais gente
20:59:13 Carol PGR O médico recebeu antes aquele relatório "parceiro" que o FULANO apresentou, eu disse o que achamos e avisei que era q era p servir para LJ.
20:59:28 Julio Noronha Boooua
20:59:45 Welter Prr Aceita Unimed?
21:38:06 Carol PGR Kkkk
22:55:34 Sergio Bruno Mpdft Quem é FULANO mesmo?
23:11:55 Julio Noronha Kkkkkk

1 DEC 16
15:07:54 Carol PGR pessoal, do FULANO eu tiro a questão da manutenção da doença? O médico de SP me ligou ontem e disse que de fato ele com alzeimer

Rcl 43.007




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Revista Consultor Jurídico, 22 de fevereiro de 2021, 17h32

Comentários de leitores

16 comentários

Desumano ?

Antonio sociedade civil em Segurança Pública (Prestador de Serviço)

Discordo da Conjur.
Uma coisa é ironia ,outra é ser desumano. Está faltando interpretação contextualizada.
O Brasil tem 02 grupos.
Os que estão indiguinados com o fim da roubalheira. Os que estão indiguinados com a conivência midiática pro corrupção.

O de sempre

Afonso de Souza (Outros)

gue a tentativa de desmoralizar a Lava Jato para liberar os corruptos, um em especial, sabemos. E isso tudo com base em supostos diálogos roubados e não periciados. Mas fogem do conjunto probatório como o diabo da cruz.

O de sempre

JCCM (Outros)

O de sempre!!!!

Maior escândalo judicial do mundo.

Lourenço Augusto Mello Dias (Advogado Assalariado - Civil)

É de se ficar sem palavras... Como é possível que procuradores federais ajam dessa forma? Que vergonha, que baixaria... Não respeitam nada, nem ninguém, agem como adolescentes irresponsáveis. O que fará o Conselho Nacional do Ministério Público Federal? Nada? É o fim...

Fiscal da lei?

magnaldo (Advogado Autônomo)

O MP sempre funcionou como órgão de acusação e fiscal da lei, controlando os atos da polícia. Ao ter permissão para investigar, deixou de lado o rigor legal e incidiu em práticas condenáveis. São muitos os casos noticiados de abusos e arbitrariedades cometidas no afã condenatória.

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