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"Fomos displicentes!!!"

Polícia Federal forjou depoimentos para ajudar 'lava jato', mostram diálogos

No intuito de colaborar com a atuação da chamada "lava jato", delegados da Polícia Federal forjaram e assinaram depoimentos que jamais ocorreram. E tudo com a anuência dos procuradores de Curitiba.

Grupo de procuradores liderado por Deltan sabia dos depoimentos forjados pela PF
Fernando Frazão/Agência Brasil

É o que indicam os novos diálogos enviados ao Supremo Tribunal Federal pela defesa do ex-presidente Lula nesta segunda-feira (22/2). As mensagens entre procuradores foram apreendidas no curso de investigação contra hackers que invadiram celulares de autoridades. A ConJur manteve eventuais erros de digitação e ortografia presentes nas mensagens.

A constatação consta de diálogo mantido entre os procuradores Deltan Dallagnol e Orlando Martello Júnior em janeiro de 2016. Nele, eles relatam o que contou uma delegada da Polícia Federal chamada Erika — provavelmente a delegada Erika Marena, que era a responsável pelos casos da "lava jato".

A atriz Flávia Alessandra interpretou a delegada Erika Marena no filme "Polícia Federal — A lei é para todos"
Reprodução

"Como expõe a Erika: ela entendeu que era pedido nosso e lavrou termo de depoimento como se tivesse ouvido o cara, com escrivão e tudo, quando não ouviu nada... Dá no mínimo uma falsidade... DPFs são facilmente expostos a problemas administrativos", disse Deltan.

Orlando Martello Júnior mostra preocupação com a possibilidade de esses problemas administrativos levarem ao descrédito da força-tarefa de Curitiba. Diz que "se deixarmos barato, vai banalizar".

Então propõe uma saída: "combinar com ela de ela nos provocar diante das notícias do jornal para reinquiri-lo ou algo parecido. Podemos conversar com ela e ver qual estratégia ela prefere. Talvez até, diante da notícia, reinquiri-lo de tudo. Se não fizermos algo, cairemos em descrédito".

A sequência do diálogo, segundo a defesa de Lula, mostra que o uso de depoimentos forjados era algo reiterado pelo grupo de procuradores de Curitiba. O diálogo segue na mensagem de Martello Júnior a Deltan Dallagnol.

"O mesmo ocorreu com padilha e outros. Temos q chamar esse pessoal aqui e reinquiri-los. Já disse, a culpa maior é nossa. Fomos displicentes!!! Todos nós, onde me incluo. Era uma coisa óbvia q não vimos. Confiamos nos advs e nos colaboradores. Erramos mesmo!", diz.

A preocupação é, também, com a eficiência das colaborações premiadas que a força-tarefa fez uso. "Se os colaboradores virem uma reação imediata, vão recuar. O Moura quer ficar bem com JD e demais, ao mesmo tempo em q se da de bobo e nada acontece com ele. À prova, igualmente, fica prejudicada", complementa Martello Júnior.

"Concordo, mas se o colaborador e a defesa revelarem como foi o procedimento, a Erika pode sair muito queimada nessa... pode dar falsidade contra ela... isso que me preocupa", responde Deltan.

A STF, a defesa de Lula destaca que ao Ministério Público cabe fazer o controle externo da atividade policial, conforme determinação da Constituição Federal. Em vez disso, o uso de termos de depoimentos forjados no intuito de atender aos interesses da "lava jato" era algo contumaz, admitido e tolerado por seus membros.

Rcl 43.007




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Revista Consultor Jurídico, 22 de fevereiro de 2021, 12h21

Comentários de leitores

29 comentários

Tudo isto não vai dar en nada !

ECFRITZ (Funcionário público)

É o que acontece quando as pessoas e grupos de trabalho (lava jato) trabalham sem supervisão. Até o supervisor precisa de alguem que o supervisione. Tudo isto nao vai dar em nada. Somente aqueles atingidos pelas ilegalidades poderão se queixar de alguma coisa (aqueles achacados para confessar e colaborar) estes estao satisfeitos com as delaçoes premiadas. Estão pagando as multas (com dinheiro desviado) tiveram reduçao de penas e logo estarão livres na primeira oportunidade. Quanto ao ex presidente tambem não vai alterar sua condenação no caso do triplex do Guaruja. O processo tem provas próprias nem e referido nas conversas vazadas. O caso ja foi julgado en segunda instância. O máximo que pode acontecer e alguem parar na comissão de ética. Ainda que as conversas sejam validadas como prova são por enquanto são só conversas. O que está ali tem que ser provado. Passado a novidade do escândalo, cairá em esquecimento dentro de poucos meses até outro escândalo surgir e todos esquecerem isto.

Nojo, horror, incredulidade.

Lourenço Augusto Mello Dias (Advogado Assalariado - Civil)

Estarrecedora mais esta notícia... Meu deus, onde isso vai parar. Salvo engano, trata-se, no mínimo, de uma ORCRIM...

Policia federal forjou documentos

Virginia Barbagli (Advogado Assalariado - Trabalhista)

Tenho 71 anos e já vi quase de tudo na vida pessoal e profissional como advogada.
Mas, agora, com os procedimentos dos procuradores da lava jato, do sr Moro, da policia federal (tudo em minúsculo), fiquei com nojo!
Tenho náuseas quase o dia todo!

Hein?

Afonso de Souza (Outros)

Você deveria ter nojo é dos corruptos e da corrupção. Corrupção mata!

Viva a Lava Jato!

Brasil

Fernanda Fernandes Estrela (Assessor Técnico)

O Brasil nos mostra diariamente que não é para amadores.
Como a pessoa quer punir corrupção praticando delitos?

Afonso de Souza (Outros)

JCCM (Outros)

Viva a lava jato!
Supostos diálogos?
Julgamento justo?
!!!

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