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"Estamos com Pressa"

Cooperação entre "lava jato" e EUA acontecia fora dos canais oficiais

A defesa do ex-presidente Lula enviou ao Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira (12/2) novos diálogos entre procuradores do Ministério Público Federal paranaense. As conversas reforçam que a cooperação internacional com os Estados Unidos ocorria fora dos canais oficiais, de modo informal. 

Dallagnol impulsionava cooperação informal pelo lado brasileiro
Fernando Frazão/Agência Brasil

A autoridade central de cooperação entre os dois países é o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação (DRCI), vinculado ao Ministério da Justiça. O procurador Deltan Dallagnol, no entanto, se mostra impaciente quanto à troca formal de informações. 

A conversa é de 1º de dezembro de 2015. Na ocasião, MPF e autoridades dos EUA discutiam as investigações sobre a Petrobras feitas no Brasil e no país norte-americano. Procuradores estrangeiros foram inclusive a Curitiba para falar com advogados de delatores. Eles pretendiam escutar os colaboradores nas investigações em curso nos Estados Unidos. 

A ConJur manteve as abreviações e eventuais erros de digitação e ortografia presentes nas conversas.

"Nós estamos com pressa, porque o DOJ [Departamento de Justiça dos EUA] já veio e teve encontro formal com os advogados dos colaboradores, e a partir daí os advogados vão resolver a situação dos clientes lá… Isso atende o que os americanos precisam e não dependerão mais de nós. A partir daí perderemos força para negociar divisão do dinheiro que recuperarem. Daí nossa pressa", disse Dallagnol em um grupo. A atuação em favor da agência dos EUA tinha como objetivo gerar "créditos" para que a "lava jato" criasse um fundo bilionário. 

Vladimir Aras, então responsável pela cooperação internacional na Procuradoria-Geral da República, se mostra incomodado com a estratégia de atuar diretamente com as autoridades norte americanas: "Mas eles só conseguirão isso se colaborarmos, não? Eles não tem provas. Ou têm?"

Dallagnol responde: "Conseguem sim. Porque os colaboradores darão o caminho das pedras. O resto consegue com a Petro [Petrobras] ou na internet. Eles podem pegar e usar tudo que está na web. E nossos casos estão integralmente na Web". 

"Trunfo são colaboradores, enquanto eles não estiverem depondo pros americanos… É claro que eles vão nos pedir materiais para facilitar, mas se fecahrmos as portas isso não mudará muito depois… Creio que agora é a melhor hora ainda para barganhar algo", conclui Dallagnol. 

Mônaco
A burla não ocorria apenas com relação às autoridades norte-americanas. Em outro diálogo, Dallagnol admite que estava usando elementos obtidos fora dos canais oficiais e diz que se a cooperação informal cair, "chega pelo canal oficial e pedimos de novo". 

"Estou recebendo informações de Mônaco diretamente por email e foi autorizado o uso oficial…", diz Dallagnol. Vladimir Aras novamente contesta. "Delta, melhor ter cuidado. Que tipo de situação é? As defesas podem questionar o canal. O DRCI também."

Dallagnol defende a burla: "Concordo. Não usaria para prova em denúncia, regra geral. Vamos usar para cautelar. Se cair, chega pelo canal oficial e pedimos de novo". 

Aras pergunta: "Não dá para esperar chegar [pelo canal oficial]? Prudente como uma pomba; esperto como uma serpente", ironiza. 

Rcl 43.007




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Revista Consultor Jurídico, 12 de fevereiro de 2021, 16h29

Comentários de leitores

1 comentário

A verdade

Luiz Aparecido (Outros)

Desde quando começaram a publicar as conversas informais obtidas de forma criminosa e sempre tiradas de contexto, até hoje não vi uma vírgula que pudesse mostrar que os criminosos condenados não cometeram os crimes a eles imputados, aí fica a sensação de que somos um país de idiotas , onde se aceita que qualquer prova ilegal serve para inocentar bandidos , mas não serve para condenar , fica difícil aceitar essa inversão de papéis , onde tenta se condenar os investigadores e não os investigados , estamos cansados de impunidades por filigranas embargos e prescrição de grandes criminosos.

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