Consultor Jurídico

Vazamento do fim do mundo

Após megavazamento, dados de ministros do Supremo são postos à venda

Os dados dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal estão à venda na internet, após o megavazamento de dados de 223 milhões de CPFs, além de dados cadastrais e informações econômicas, fiscais, previdenciárias, perfis em redes sociais, escore de crédito e fotografia pessoal.

A empresa de segurança Shyhunt analisou, a pedido do Estadão, alguns dos arquivos disponibilizados por criminosos na internet, mas não foi possível identificar a identidade ou o número de pessoas envolvidas no vazamento. O arquivo analisado é considerado um "catálogo" das informações em poder do hacker — assim, não é possível saber se ele de fato tem essas informações, apenas que anunciou que elas estão à venda.

"O hacker está oferecendo informações em 37 categorias: básico simples, básico completo, e-mail, telefone, endereço, Mosaic (um serviço oferecido pelo Serasa), ocupação, score de crédito, registro geral, título de eleitor, escolaridade, empresarial, Receita Federal, classe social, estado civil, emprego, afinidade, modelo analítico, poder aquisitivo, fotos de rostos, servidores públicos, cheques sem fundos, devedores, Bolsa Família, universitários, conselhos, domicílios, vínculos, LinkedIn, salário, renda, óbitos, IRPF, INSS, FGTS, CNS, NIS e PIS. Segundo o catálogo, a maioria das informações são referentes ao ano de 2019, mas há bases de 2017, 2018 e 2020 no pacote. A categoria ‘fotos de rostos’ também inclui arquivos entre 2012 e 2020.", detalha a reportagem do Estadão.

Entre os ministros do STF, Ricardo Lewandowski é o mais afetado, com dados em 26 categorias. O presidente da corte, Luiz Fux, tem dados ofertados em 23 categorias. Todos outros também têm dados em mais de 20 categorias: Dias Toffoli (25), Luiz Roberto Barroso (25),  Alexandre de Moraes (24),  Gilmar Mendes (24),  Rosa Weber (23), Kassio Nunes Marques (23), Edson Fachin (22), Cármen Lúcia (21) e Marco Aurélio Mello (21), também de acordo com o jornal.

Os hackers ainda estão oferecendo dados do presidente da República, Jair Bolsonaro; do agora ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia; e do ex-presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

"Não é possível saber se os criminosos têm as informações ou não, mas é muito difícil que não tenham. As amostras foram claramente exportadas por uma ferramenta interna de consulta do hacker", afirmou Felipe Daragon, fundador da Syhunt, ao Estadão.

Após a divulgação da informação pelo Estadão, o presidente do STF, ministro Luiz Fux, pediu providências. Foram enviados ofícios ao ministro da Justiça, André Mendonça, e ao ministro Alexandre de Moraes, relator do Inquérito 4.781, que apura ofensas e ameaças aos ministros do STF, de acordo com o jornal. 

Fux também considerou gravíssimo o vazamento de dados de milhões de brasileiros — especialistas classificaram o episódio como o "vazamento do fim do mundo", devido à sua abrangência e gravidade.

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), órgão que faz parte da Presidência da República e possui atribuições relacionadas a proteção de dados pessoais e da privacidade, emitiu a seguinte nota:

"A ANPD está apurando tecnicamente informações sobre o caso e atuará de maneira cooperativa com os órgãos de investigação competentes para apurar a origem; a forma em que se deu o possível vazamento; as medidas de contenção e de mitigação adotadas em um plano de contingência; as possíveis consequências e os danos causados pela violação.
Concluída esta etapa, a ANPD sugerirá as medidas cabíveis, previstas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), para promover, com os demais órgãos competentes, a responsabilização e a punição dos envolvidos.
Atenciosamente,
Autoridade Nacional de Proteção de Dados"




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Revista Consultor Jurídico, 2 de fevereiro de 2021, 10h03

Comentários de leitores

11 comentários

Origem

Geraldo Gomes (Administrador)

Até hoje não explicaram qual foi a fonte destas informações. Esta claro que é ligado ao governo e estão encobrindo para evitar processos ou esconder o atestado de incompetência. Falo isto pois os dados vazados contém dados até de Renavam, etc. ou seja, são dados governamentais.

Disse o "Sherlock"

Analista de inteligência (Outros)

Está claro quem é o responsável pelos vazamentos? Sério? Leva os indícios de autoria que você encontrou e apresenta para o Alexandre de Moraes. Você não tem ideia da quantidade de invasões que ocorreram a todo momento pelo mundo, seja em bases de dados privadas ou públicas. Então, não pode acusar ninguém sem ter conhecimento algum, pelo menos não deveria. Vale lembrar que ocorreu um grande ataque hacker a vários países no ano passado, atingindo várias bases de dados públicos e privados aqui no Brasil. Mas fatos não interessam né?

Ocultação

SDCASTRO (Secretário)

Bem muito bem, sabemos que fomos roubados e violados, mas de que base de dados aconteceu isso? Tudo indica que foi os sistemas do Serasa.

Fim do mundo

O ESCUDEIRO JURÍDICO (Cartorário)

Aqui no Brasil a incompetência é a marca do povo, tanto do pobre como da elite.
Tudo, aqui, é feito em escala astronômica. Inclusive o erro.
Um advogado, consumerista, me disse, certa vez, que ele ia ingressar com ações contra todas as empresas da cidade, depois do Estado e por fim, de todo o Brasil, porque elas não respeitavam o Código do Consumidor em um ponto específico, que não me lembro.
Enfim, a nossa marca, perante o mundo, é a incompetência.

Aceitar provas ilegais

R.A.R (Advogado Autônomo - Administrativa)

É o início do erro, como corrigir um erro com outro. Taí o resultado..

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