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Olhar de fora

Políticos e intelectuais estrangeiros alertam para risco de uso político da PF

Por meio de uma carta organizada pelo deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), políticos e intelectuais americanos e ingleses alertaram para o risco de a Polícia Federal se transformar em um instrumento de perseguição de adversários do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições do ano que vem.

Estrangeiros estão de olho na atuação da Polícia Federal no governo Bolsonaro
Reprodução 

Os signatários do texto pedem que seja redobrada a vigilância sobre Bolsonaro, para que o presidente não use seu cargo para intimidar a oposição. São mencionadas na carta a recente operação da PF na residência do ex-governador do Ceará Ciro Gomes e a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2018. Ambos deverão ser candidatos à Presidência em 2022.

A carta, escrita em inglês, foi assinada pelos ingleses Jeremy Corbyn, ex-líder do Partido Trabalhista, e Ken Livingstone, ex-prefeito de Londres, e pelos norte-americanos Noam Chomsky, linguista e filósofo, Oliver Stone, cineasta, Alfred de Zayas, ex-especialista independente da ONU para a democracia, Ilhan Omar, congressista democrata, e Mark Weisbrot, do Centro de Estudos em Política Econômica de Washington.

Além de Bolsonaro, a carta cita o ex-juiz Sergio Moro, outro que tentará ser presidente no ano que vem, como uma ameaça à ordem democrática. 

Leia a seguir a íntegra da carta traduzida para o português:

"Na quarta-feira, 15 de dezembro de 2021, a Polícia Federal do Brasil invadiu o apartamento de Ciro Gomes, candidato à presidência do Brasil, em Fortaleza, Ceará, e apreendeu aparelhos eletrônicos e papéis supostamente ligados a uma investigação de fatos que teriam ocorrido entre 2010 e 2013.
Ciro Gomes nunca foi condenado, nem mesmo acusado, de qualquer atividade corrupta em sua longa carreira política. À época dos eventos em questão, ele não exercia funções públicas — no governo estadual ou em qualquer outra parte da estrutura governamental do Brasil.
Essa operação de busca e apreensão sinaliza um novo e perigoso momento na corrida para as eleições presidenciais do Brasil em outubro de 2022. A Polícia Federal, diretamente sob o controle do presidente Bolsonaro — e com facções ainda leais ao ex-juiz Sergio Moro, o juiz corrupto que prendeu Lula em 2018 e agora também concorre à presidência —, agora serve para intimidar os oponentes de Bolsonaro na eleição. Os amigos do Brasil em todo o mundo devem expressar sua consternação com o uso descarado da Polícia Federal para fins de assédio político. Apelamos a todos os que se preocupam com o Brasil e com a causa da liberdade política no mundo a redobrar sua vigilância contra o uso do poder governamental para conter a oposição a Bolsonaro. O Brasil nunca precisou mais de nós".




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Revista Consultor Jurídico, 27 de dezembro de 2021, 11h51

Comentários de leitores

6 comentários

Promiscuidade iuris-policialesca

ARMANDO (Delegado de Polícia Federal)

Depois das ações policialescas da Farsa Jato, com endossos ministerialescos e judicialescos, sem provas mas com convicções, não custa ficar alerta. O justiceiro da Farsa Jato até hoje não se dignou a dizer em que página de sua sentença está a prova contra Lula. Liberou para a imprensa, às vésperas das eleições delação rejeitada pelo MPF...
Agora, temos uma busca dez anos depois na casa de Ciro Paris...
Frente a isso, melhor ficar atento, até por quê, nem o desgoverno nem a PGR tem dado mostras de respeito ao ordenamento jurídico.
O alerta é procedente.

Comentário

Afonso de Souza (Outros)

A Lava jato não foi uma farsa. Houve delações, confissões, muitas provas foram reunidas e examinadas, muito dinheiro foi recuperado. Pela primeira vez na história deste país, a grande corrupção foi alcançada e punida.

Farsa mesmo foi o que fizeram com ela, especialmente naquela vergonhosa sessão na Segunda Turma, com ilações engendradas contra Moro para blindar o político corrupto e salvar outros.

Politica da desinformação

Glaucio Manoel de Lima Barbosa (Advogado Assalariado - Empresarial)

Onde há prova que o Presidente-BOLSONARO- autorizou a querida Policia Federal investigar o cangaceiro e o irmão aloprado? Sabemos que a decisão foi do Juiz da Vara Federal do Ceará.
O cangaceiro que se diz "advogado" sabe que a CF assegura o contraditório e ampla defesa.

Que barbaridade.

Valdomiro Nenevê (Agente da Polícia Federal)

Que mentira cabeluda. A PF é uma instituição de Estado e não de gocerno. A operação que desencadeou a busca e apreensão é oriunda de uma persecução penal iniciada em 2017.
Ademais, que risco o candidato Ciro Gomes representa ao pleito presidencial? Nenhum!
Fala sério...

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