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Terceirização da Toga

TJ-SP afasta juiz que colocava servidores para conduzir audiências

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo instaurou um processo administrativo disciplinar e determinou o afastamento cautelar de um juiz de Araçatuba acusado de delegar tarefas a servidores, inclusive a condução de audiências e a elaboração de decisões.

TJ-SPTJ-SP afasta juiz que colocava servidores para conduzir audiências

"O magistrado delega parcela substancial da atividade jurisdicional a servidores, transferindo-lhes a responsabilidade de conduzir audiências, elaborar decisões e assiná-las digitalmente com seu cartão digital, sem nenhum tipo de conferência", afirmou o corregedor-geral de Justiça, desembargador Ricardo Anafe.

Segundo ele, o magistrado não comparecia ao fórum às quintas e sextas-feiras, ocasião em que servidores presidiam audiências, como de transação penal, suspensão condicional do processo e até casos envolvendo a Lei Maria da Penha.

"Para proferir sentenças, o magistrado limitou-se a corrigir minutas elaboradas por servidores em documentos do Word, sem contato com as peças do processo, apenas com a cópia da denúncia, ignorando completamente os demais elementos dos autos", completou o corregedor.

Para Anafe, o afastamento cautelar é necessário para "interromper a cessão indevida de poderes jurisidicionais a servidores". Ao concordar com o voto do corregedor, o presidente do TJ-SP, desembargador Geraldo Pinheiro Franco, falou da "gravidade ímpar" do caso.

"Audiências, de seriedade ímpar, no âmbito penal e civil, eram presididas por servidoras. É inacreditável, esse magistrado não pode continuar judicando. Ele ofende os princípios pelos quais a magistratura luta, ofende a Constituição, e traz prejuízo concreto ao cidadão, que se vê julgado sem exame dos autos e por quem não tem autoridade para julgar", afirmou.

Em sua última sessão do Órgão Especial antes da aposentadoria, o desembargador Ferraz de Arruda também pediu a palavra e criticou a conduta do juiz: "No meu último dia no Órgão Especial, tenho que ver um juiz torto fazendo isso. Não há adjetivo para lamentar essa conduta". A decisão de instaurar o PAD e afastar o juiz se deu por unanimidade.




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Revista Consultor Jurídico, 20 de dezembro de 2021, 20h46

Comentários de leitores

8 comentários

Azarado!!!

André Soler (Procurador do Município)

É um azarado. Deve ter muito, mas ninguém "vê"!

Lamentável

Advogado José Walterler (Advogado Autônomo - Administrativa)

O pior é que casos muitos MAIS GRAVES que esse, como VENDAS DE SENTENÇAS, geram a tão sonhada APOSENTADORIA COMPULSÓRIA, com todos os direitos. Imagina esse! esse magistrado CORRUPTO deverá ser sancionado com um simples afastamento e "adepois", poderá ser movimentado para outra comarca para continuar seus DESMANDOS. Imagina ai um caso desse envolvendo policiais. O MUNDO CAIA.

Aposentadoria compulsória

Advogado José Walterler (Advogado Autônomo - Administrativa)

Casos de

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