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"Morte em vida"

Renan Calheiros critica mais uma denúncia apresentada com base em delação

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) divulgou nas redes sociais um desabafo gravado em um quarto do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde se recupera de uma cirurgia para a retirada de um tumor. Segundo o alagoano, as várias denúncias de corrupção apresentadas contra ele nos últimos anos — que ele sustenta serem mentirosas — têm prejudicado muito sua saúde e equivalem a uma "condenação à morte em vida". 

O senador Renan Calheiros está internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo
Jefferson Rudy/Agência Senado

A mais recente denúncia foi apresentada nesta semana. Com base na delação de executivos da Odebrecht, a Polícia Federal acusou Calheiros de ter recebido R$ 500 mil da empreiteira em esquema de caixa dois. De acordo com o senador, trata-se de "mais uma acusação absolutamente improcedente, nascida de uma delação em que todos os delatores negaram a imputação inicial." "Quatro anos depois, a investigação não apresenta fatos, nem provas, mas novamente indícios, uma tentativa inútil de criminalizar doações legais, um processo no qual fui constrangido a depois no ápice da pandemia."

"Essa publicação (o vídeo) se presta a transmitir a todos o enorme desgaste de alguém que passa anos e anos padecendo das mais mesquinhas e absurdas perseguições, mesmo quando mais de dois terços das falsas acusações foram arquivadas por absoluta falta de provas", afirmou o senador. "Mesmo assim, a qualquer momento podem surgir outros absurdos, que vão causando danos à minha saúde física e mental. Ano a ano, mês a mês, é uma verdadeira tortura".

O senador contou que exames de rotina feitos no hospital paulistano revelaram a presença de um tumor de 1,6 centímetro no rim direito, retirado na cirurgia. Além disso, outros tumores foram detectados e estão sendo analisados pelos médicos que cuidam do seu caso.

No mês passado, em entrevista exclusiva à ConJur, Renan acusou os procuradores que conduzem a "lava jato" de persegui-lo. No vídeo gravado em São Paulo, ele voltou a tocar no assunto ao dizer que autoridades brasileiras estão promovendo "assassinatos de reputações".  

"São acusações seriadas sem prova, sem materialidade ou fatos, que equivalem a uma sentença de morte em vida, assassinato mesmo", afirmou o senado. "A duras penas tenho procurado manter a serenidade, a sanidade e o equilíbrio, ao mesmo tempo em que faço minha defesa técnica dentro do Estado democrático de Direito, que muitas vezes é violentado por alguns agentes púbicos."

"A cada fardo retirado, um novo é lançado em minhas costas, parece uma condenação inapelável. No futuro, quando isso tudo passar, a vergonha estará na face daqueles que me condenaram à morte em vida. Por isso, a vontade de viver e lutar não esmorece. Mesmo diante das mais vis das atrocidades, resisto para que isso não se abata mais sobre nenhum outro brasileiro, só assim o Brasil será um país melhor", disse Renan Calheiros.

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Revista Consultor Jurídico, 16 de setembro de 2020, 12h25

Comentários de leitores

1 comentário

Pimenta nos olhos dos outros é refresco

MACACO & PAPAGAIO (Outros)

O Senador está certo quanto às causas de seu sofrimento (as sanhas dos almofadinhas do MP), mas eles são da mesma classe (ou espécie): têm dinheiro para custear os melhores advogados e se curarem com os melhores médicos, nos melhores hospitais.
Agora, imaginemos o cidadão comum, que não tem renda e ainda tem que entrar na fila interminável do SUS para se tratar...e sem direito de reclamar de nada.

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