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Comentários de leitores

5 comentários

Desmistificar é preciso

Ion Andrade (Advogado Associado a Escritório - Tributária)

Finalmente um pouco de humanidade na personalidade do gênio. Direito alienígena aplicado aos tupiniquins. "Quosque tandem Catilina..."

Superficialidade analítica

João Batista de Castro Júnior (Professor)

Godoy, acho que faltou mais densidade da obra ruiana em sua abordagem e menos entusiasmo com Viana, um homem tão obcecado pela estampa fenotípica caucasiana que tentava justificar que éramos todos brancos e loiros por causa das levas demográficas do Norte de Portugal. Se ele tivesse cruzado o Brasil , como Rui fez na "Campanha Civilista", provavelmente teria evitado essa ideia tão obtusa desancada por Gilberto Freyre em "Casa Grande & Senzala". Viana era um homem de gabinete praiano sem argúcia social.
Quanto a Rui, por ausência de espaço, recomendo o excelente livro de Bolívar Lamounier. Essa obra arruma muitas cabeças distorcidas por aí e sem trato histórico e sociológico. A impressão que fica é que os críticos de Rui sempre pareceram acossados com seu status político e intelectual, sabe-se lá se isso era por que vinha do Nordeste. Darcy Ribeiro, em "Aos trancos e barrancos", diz algo parecido ao que você escreveu, ou seja, "Rui vivia embascado com as sabedorias inglesas". Achei até que você fosse lhe dar o crédito da opinião com tanto gosto externada no texto. Mas se o fizesse, teria também que citar o que disse o mesmo Darcy na obra outonal "O povo brasileiro" ao salientar, se redimindo, que a mestiçagem deu gênios como Rui Barbosa à nacionalidade brasileira. Sendo Rui um homem que poderia ter encarado qualquer carreira, afinal, era o único não-engenheiro membro do seleto Clube de Engenharia, por seu monumental conhecimento matemático que lia Einstein no original (são dados documentados, não arroubo bairrista), a escolha pela Ciência Jurídica fez muito bem ao Brasil. Os equívocos são comuns em qualquer cruzada intelectual. Isso ainda é melhor do que não ter como empreendê-la mas se arriscar a essa tarefa e deixar grosseiras inexatidões.

Nosso Napoleão

amigo de Voltaire (Advogado Autônomo - Civil)

Ruy Barbosa figura entre os grandes brasileiros, nosso Napoleão a se julgar por sua capacidade intelectual e tamanho físico, sem a megalomania e a vocação belicosa do líder francês. Há dois episódios em sua vida, um que se tornou popular e outro que é narrado na história, que o marcam para mim. O primeiro é que ele teria perguntado em Haia em que língua os presentes queriam que ele se pronunciasse. Erudição para uns pernosticismo vira-lata para outros. Outro fato seria sua participação na Revolta da Vacina no início do século XX em que se opôs {
à campanha da vacina obrigatória desejada pelo então sanitarista Oswaldo Cruz, dizem em nome da liberdade individual, marca intelectual que teria adquirido justamente de sua simpatia pela apreço pelas liberdades e direitos individuais em face da vontade do Estado dirigista, traço marcante no direito anglo-saxão.Ainda uma outra passagem histórica que melhor se encaixaria na do viralatismo cultural foi a de destruir os arquivos sobre a escravidão enquanto ministro de Deodoro da Fonseca na 1a. República. Tais episódios não diminuem a importância de Ruy Barbosa para nossa cultura, por sua atuação e história principalmente merece estar no Panteão dos grandes brasileiros

Seguidores de rui

O ESCUDEIRO JURÍDICO (Cartorário)

Temos, dentro da cultura jurídica nacional, juristas seguidores do direito norte-americano e, aqui, na própria Conjur, juristas assujeitados à cultura jurídica germânica, esquecidos da realidade em que vivem.
Brilhante artigo, porque demonstra as contradições dos nossos juristas.

Aplausos para o Dr. Godoy !!!!

Rejane G. Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

Mais um excelente artigo !
Rui Barbosa era um atlante ?
Ao longo dos anos de minha vida, li alguns livros de Rui Barbosa. Havia passado dos quarenta anos,, quando descobri que a Biblioteca Mario de Andrade (SP) tinha o acervo de todas as obras do maior de nossos juristas. Adotei o hábito de ir à biblioteca aos sábados, quando funcionava o dia inteiro, para ler alguns pareceres. Lá por 2008/2009, descobri o site da Fundação Casa de Rui Barbosa e, além das obras publicadas, descobri um tesouro, a hemeroteca de Rui. Tenho certeza de que Viana nunca teve acesso a ela. Se tivesse, suas opiniões sobre Rui Barbosa seriam muito diferentes. Recortes de vários jornais de várias províncias/estados do Brasil e jornais estrangeiros. Conhecer o que uma pessoa seleciona para seus arquivos diz muito mais sobre ela do que os volumes da biblioteca. Rui Barbosa tinha os pés bem fincados na realidade brasileira. Sim, Dr. Godoy, Viana tem mérito como crítico e foi sincero, suas críticas refletem o que ele conseguiu enxergar de Rui à época.
Rui Barbosa não era um atlante.
Seguramente, era um homem à frente de seu tempo. E penso assim ainda hoje, analiso a hemeroteca de Rui há anos e ainda há pontos a serem esclarecidos, pontos que cem anos de História ainda não elucidaram com fatos, imagine !

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