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MPT pede que ação contra programa de trainee para negros seja extinta

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O Ministério Público do Trabalho pediu nesta terça-feira (13/10) que a ação da Defensoria Pública da União contra o programa de trainee para negros do Magazine Luiza seja extinta. O processo corre na 15ª Vara do Trabalho de Brasília. 

MPT pediu extinção de ação da DPU
Reprodução

Na ação civil pública, o defensor Jovino Bento Júnior classifica o programa do Magazine Luiza como "marketing de lacração"; diz que a empresa violou direitos coletivos; pede que seja reconhecida ocorrência de "racismo reverso"; e solicita o pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. 

Para o MPT, o autor incorreu em desvio de finalidade, violando as atribuições da Defensoria. "A lógica interpretativa leva à conclusão de que a tutela pretendida pelo autor objetiva defender interesses do grupo tradicionalmente contemplado nos processos seletivos para vagas de liderança pretéritos, qual seja, o de trabalhadores não-negros (não-pretos e não pardos), que são efetivamente aqueles que têm acessado às vagas de liderança em processos seletivos de 'ampla ocorrência'", diz a manifestação. 

A peça também ressalta que nenhum grupo étnico, minoritário ou vulnerável é representado na ação da Defensoria. Ao contrário, diz o MTP, o processo busca impedir a concretização do direito à igualdade de oportunidades.

"Resulta, portanto, antijurídico o objetivo da ação, qual seja, a tutela de interesses de grupo habitual e majoritariamente privilegiado no preenchimento das vagas na empresa, inexistindo pretensa discriminação injusta ao se instituírem ações afirmativas para promover a igualdade racial", afirma o MPT. 

Ação criticada
O MPT-SP já havia se posicionado contra a ação da Defensoria, afirmando que a desigualdade de oportunidades justifica a existência de ações afirmativas e que a iniciativa do Magazine Luíza é louvável. 

A Defensoria Pública da União também criticou a ACP movida por Bento Júnior. "A realização da igualdade material perpassa a eliminação de barreiras estruturais e conjunturais que possam impedir o cidadão vulnerável de realizar plenamente seu potencial. Nesse contexto, é imprescindível a adoção de ações por parte do estado e da sociedade civil", diz o texto. 

Ainda de acordo com a nota, "a DPU apoia e incentiva medidas do poder público e da iniciativa privada que proporcionem a redução de carências e de vulnerabilidades". 

Clique aqui para ler a manifestação
ACP 0000790-37.2020.5.10.0015




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Revista Consultor Jurídico, 14 de outubro de 2020, 11h19

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